sexta-feira, 31 de agosto de 2018

VIII - FUGIR À MORTE TODOS OS DIAS CANSA – ENFERMIDADES

A doença entra na nossa vida da mesma forma que algumas pessoas o fazem, sem serem convidados. E como também acontece com essas pessoas, as doenças são na sua maioria chatas. Não têm noção de espaço e tempo. Fazem-me lembrar alguns namorados que tive e que acabei por ter que despachar. 


Diz a minha curta experiência de vida que o melhor é não criar oportunidades para que ela apareça, ou pior ainda, que se instale. 

Não se devem marcar consultas com médicos, homeopatas, osteopatas, curandeiros, endireitas, mecânicos, em resumo todos aqueles que nos possam pedir para nos despirmos, só porque sim. Saímos sempre de lá com um problema, e costuma ser um diferente daquele que nos queixamos. 

Entre as diferentes especialidades médicas existem uma que vos peço que se mantenham o mais distante possível. E não estou a falar de cirurgiões porque nesse caso já sabemos ao que vamos. Mantenham-se alertas junto de dentistas. E mais, se eventualmente estes profissionais vos pedirem para se despirem não só se devem manter distantes, como têm a minha anuência para chamar a polícia. 

Qual é a razão deste medo? 

Não conheço nenhuma história, com um dentista, com um final feliz. E se por acaso pertences ao reduzido grupo de pessoas que ainda têm os dentes do ciso FOGE, enquanto podes. 

Não sei o que é que lhes ensinam na escola, mas os dentes do ciso devem ser vistos como uma monocelha, e tem que ser arrancado e separado de nós, antes de se transformarem NAQUILO. E até hoje ninguém me soube explicar o que é “NAQUILO”. Mesmo os que arrancaram os dentes do ciso, e que apesar de ter sido há anos, ainda hoje quando recordam a experiência soltam uma gota de urina, e não é de contentamento. 

Sempre que o dentista faz um ponto de situação sobre o estado da minha boca, eu sinto-me uma personagem de um filme do Tarantino. 

Claro que devem haver episódios felizes com dentistas, eu é que os desconheço. 

Existem muitas coisas que desconheço, e que vou continuar ignorante em relação a essas coisas. Mas tudo bem. 

Descobri a verdade sobre outras tantas coisas que no fim resultaram em mais anos de vida… acho! 

Por exemplo na primeira vez que acampei com a Rita estava menstruada, e por isso não lavava a cabeça, assim como não comia laranjas. A Rita perguntou-me se o óleo que estava a pingar da minha franja não me atrapalhava. Eu expliquei-lhe “Rita quando se está menstruada não se pode lavar a cabeça, não faz bem à saúde. Não te preocupes a minha menstruação é de 7 dias e hoje já estamos no quinto dia”. 

A Rita olhou para mim, bebeu uma mini de uma golada só. Saiu e regressou dois dias depois. Trouxe consigo um livro que se chamava “ Coisas estúpidas que se dizem”. 

Não percebi bem porque me ofereceu o livro, mas uns meses depois enquanto tomava banho fiquei menstruada e não aconteceu nada. Não morri. Não cai de imediato. Nesse momento gritei “eureka” e preparei-me para ir correr nua para a rua, mas acabei por recuar porque quando consegui colocar o cálice menstrual, corretamente, já tinha perdido a vontade. 

Dizem-se muitas coisas sobre o que faz bem e o que faz mal, mas há algumas que não vale a pena reter, outras que devemos memorizar, tipo: deves ter cuidado a atravessar uma estrada ou quando usas um martelo. Quando manuseias um instrumento cortante e afiado não deves cair sobre ele. Não deves fazer misturas, não deves misturar branco, verde, tinto, rosé e outras bebidas. Deves prevenir-te em relação a doenças transmissíveis e por isso não deves partilhar quase nada, ou se partilhares que seja um pacote de pastilhas, ou um número de telemóvel. Deves evitar rapazes que se chamem Pedro, tenham mais de 1,80 e vivam perto do Amoreiras. Deves lavar os dentes todas as vezes que comeres. Deves beber muita água. Dizer asneiras. Xingar. Praguejar. Gritar. E rir, muito e muitas vezes, até perderes uma ou muitas gotas de xixi. 

Há quem diga que comer alho cru pela manhã faz bem à saúde, mas não é por isso que eu o faço. Aqui para nós, quem é que quer viver por muito tempo se estiver sozinha na vida? Quando o motivo dessa solidão é o terrível hálito a alho? 

Há quem diga que fazer sexo a seguir ao jantar pode causar a indigestão. E depois? Um copo de água, dizem, que pode fazer o mesmo e não é por isso que vamos morrer à sede. 

Temos que ser sábios nas nossas opções de vida. Queremos ter uma vida longa, mas não vazia. 

A doença não é bem-vinda, mas se vier que venha e que se vá rapidamente. Se for para ficar que seja uma verruga. Incomoda, sim, mas vive-se bem com ela. 

A doença passa pela vida de todos nós, na primeira ou na terceira pessoa do singular, e conforme a sua gravidade e o momento que acontece é para nós uma coisa boa ou má, apesar de enfraquecer sempre. 

Sim, é verdade que ficar doente pode ser uma coisa boa, quando passageira porque o estar doente chama, para nós, o mimo e a atenção, e estes nunca são demais. 

Durante a minha infância adorava estar doente, não retive se passava mal, mas recordo que comia sempre as minhas comidas favoritas e que passava o dia a descansar. E por gostar tanto de estar doente por diversas vezes encostei o termómetro à lâmpada quente, para fingir que estava febril. 

Depois veio a doença na adolescência, e aí era pura perda de tempo com tanta coisa a acontecer e ter que ficar em casa? Por causa de anginas?! Nem pensar! 

Com o passar dos anos é motivo para festejar quando se consegue sair de uma consulta médica sem a suspeita de que estamos muito doentes, muito pesados, muito parados ou muito deprimidos. 

É por isso que temos que celebrar a vida um dia de cada vez. 

A minha amiga Rita diz que a vida deve ser celebrada hora a hora e ela é sábia, e sempre que a vi vomitar foi pelos motivos certos, mau vinho ou bebé a caminho. 

Depois existe ainda o desafio que é cuidar de alguém que fica doente. Quando o doente é um homem a medicina não chega. Uma enfermeira tipo Soraia Chaves não é suficiente. Na verdade para restabelecer um homem doente o melhor é chamar um padre, um curandeiro, a sua mãe, e o treinador do Benfica. A doença num homem é desesperante, mas como tudo na vida não há mal que sempre dure. 

Quando se trata de uma criança a preocupação é proporcional à responsabilidade e tudo porque elas não vêm com livro de instruções, e também não se podem devolver à primeira falha. Há que aguentar e quando for possível logo se descansa. 

Descobrem-se algumas coisas enquanto estamos doentes, eu por exemplo, não me conseguia mexer e depois de dois dias sem dar noticias a Rita ligou-me e disse: “Espero que o motivo pelo teu silêncio esteja associado a um novo namorado. Não tens tempo nem de carregar o telemóvel.” 

E eu, cheia de dores, respondi: “Rita tenho dores” e ela respondeu: “estou a caminho”, quando a vi entrar com um saco na mão pensei na felicidade que tenho por ter alguém que irá cuidar de mim. Ela regressou da cozinha com duas minis fresquinhas e disse: “olha não trouxe nada para as dores porque isso já deves estar a tomar, mas não sabia se tinhas álcool suficiente.” 

E não é que ela tinha razão. À terceira estava tão relaxada que me esqueci das dores. 

Tenho vários receios: i) deixar de ouvir, a vida seria muito difícil viver sem música; ii) que o FC Porto não volte a vencer a Champios League; iii) que deixe de sentir a vida; iv) que o Ryan Gosling não me conheça; v) que deixe de rir, vi) que não consiga comprar uma mala Prada. 



E entre estes receios, habitam outros que causam sofrimento e dor, preocupa-me saber que eventualmente nos estamos a cansar, todos os dias, mais um pouco. 

Fiquemo-nos pela verruga, pela doença do futebol, afónicos de tanto chamar nomes ao árbitro, cegos pela simplicidade, loucos de paixão, cansados de fugir porque tocamos às campainhas de um prédio, e cheios de dores de tanto rir. 

No fim, espero que tudo acabe bem e no seu lugar, e daqui a muito tempo. 

Amén!


terça-feira, 31 de julho de 2018

FUGIR À MORTE TODOS OS DIAS CANSA – A FAMÍLIA. A NOSSA E AS OUTRAS.


Resolvemos partilhar a escova de dentes com uma pessoa. E agora? Bem, agora partilhamos o espaço, os sons, os odores corporais, a cama, o sofá, a mesa da cozinha, o comando da televisão, os amigos, entre outras coisas.  
Entretanto descobrimos que existem coisas piores do que encontrar no frigorífico a garrafa de água fresca vazia, isto porque alguém não a encheu, ou que o rolo de papel higiénico acabou e ninguém o trocou. Descobrimos que o lixo não sai de casa sozinho, mesmo quando convidado a sair, e que a roupa e a loiça são bens esgotáveis. Mas o pior ainda está para vir! 
Termos clubes de futebol diferentes ou estarmos em lados opostos em questões de política ou de religião são mesquinhices perto da horrível revelação que são…
as reuniões de família!

Venham as reuniões dos Alcoólicos Anónimos, das Testemunhas de Jeová, ou até do condomínio.
Começamos a conhecer a família da(s) outra(s) pessoa(s) e percebemos que apesar de termos uma família de doidos, são os nossos doidos, aqueles para quem conseguimos encontrar espaço no coração, na mesa e na vida. Para as outras famílias a lotação está esgotada. Lugares sentados nem pensar, e os lugares em pé atingem preços brutais.
O sucesso de séries como o Game of Thrones (GoT) não se justifica simplesmente pela qualidade. O sushi também tem qualidade e não é por isso que eu quero comer sushi.
Sempre pensei que o sucesso do GoT se devia às mulheres e homens bonitos que se despem frequentemente, mas não estava convencida. E como sempre que tenho dúvidas a primeira coisa que faço é procurar a Rita, assim o fiz.
Marquei comer caracóis com ela e depois de bebermos a terceira imperial perguntei-lhe qual era para ela o segredo do sucesso de algumas séries. E ela, acabando de chupar a cabeça de um dos caracóis, olhou para mim, coçou a cabeça, respirou fundo, e finalmente disse: “sei lá, eu não vejo novelas. Passa aí um palito que estes já não vão lá só a chupar a cabeça!”
E foi quando ela falou em novelas que viajei ao passado e recordei a série da minha adolescência: DALLAS. Os irmãos Ewing, eram naquele tempo a versão moderna de Abel e Caim. Esqueçam as cenas de sexo escaldante ou até de sexo frio e à bruta. Tirem daí a ideia porque naquela altura ninguém reparava em rabos e peitos firmes. Quem é que queria saber disso? O segredo do sucesso eram os esquemas. Como lixar o outro.
E com o GoT passa-se o mesmo. É assistir ao extermínio de dinastias. Cortam-se cabeças, atiçam-se cães, matam-se criaturas que já estão mortas, e há sangue por todo o lado. As intrigas, a sede do poder. Todos nós, lá no fundo, apreciamos uma boa sangria, uns gostam dela na mesa e com vinho tinto e outros gostam dela na vida, e se possível a sangrar por todos os lados.
Voltando às reuniões familiares, das duas uma, ou somos bons para a porrada e avançamos, ou se somos maus para a porrada, temos que pôr em prática o maior dos ensinamentos: CORRAM! Basicamente, evitemos momentos de confraternização familiares.   
As coisas tendem a piorar quando se passa muito tempo em conjunto, ou porque é Natal, ou porque é Páscoa ou porque é dia par ou ímpar. Há coisas que o tempo resolve, mas também há muitas coisas que o tempo só piora por isso o meu conselho: fujam!
Fujam de tudo o que tira anos de vida! De todas as refeições que sabemos que nos vão deixar indispostos! De tudo o que vai engordar ou aumentar o peso da nossa bagagem emocional.
Eu e a Rita combinámos comprar uma prenda de casamento, a meias, para uma amiga. Fomos até à Feira da Ladra para ver se descobríamos um aparelho, em segunda mão ou roubado, para a cozinha, mas em bom estado. Acabamos por comprar para nós uma mochila e duas saias, bem giras!
Explicámos à nossa amiga que não encontrámos nada com a cara dela, a Rita até lhe disse: “Queremos muito dar-te uma coisa que tenha a tua cara, mas a tua cara não nos lembra nada”. Na verdade a cara dela fazia-nos lembrar muita coisa, mas nenhuma dessas coisas era uma coisa boa.
Mas a nossa amiga não ouviu nada do que nós dissemos. Estava noutra e nós perguntámos se podíamos ajudar. Depois de a ouvirmos falar durante 5 minutos sobre as crises familiares nos preparativos do casamento, eu e a Rita começamos a beber. Rapidamente percebemos que era a nossa amiga que precisava de beber. E resolvemos nesse momento que a melhor prenda que lhe podíamos dar era álcool. Várias caixas de vinho!
Podemos ter sobrevivido ao Jojó, ao mau álcool, à má droga, ao mau sexo, aos maus amigos, aos péssimos trabalhos, e às pessoas horríveis, mas precisamos ser de aço para sobreviver a más famílias. A questão é existencialista e não é nova: chegámos aqui, apesar ou devido a estas pessoas?
A minha resposta é DEVIDO a estas pessoas, mas para ter sanidade mental é preciso astúcia para evitar o maior número de vezes a indigestão e a toxicidade.
Aqui vos deixo dicas para se manterem longe da Ala de Psiquiatria e do Cemitério:
Familiares “a minha é maior que a tua”
Comprámos uma casa, marcámos a inauguração e ouvimos: “ é uma boa casa, mas a minha é maior”. Nem precisamos de comprar uma casa. Pode apenas ser um telemóvel, e estás feliz porque ele só pesa meio quilo e o outro que tinhas tinha-te provocado uma escoliose. E enquanto estás feliz com o teu telemóvel novo, ouves: “sim, é um bom modelo, mas o meu é melhor”.
Conselho: se se tratar de um telemóvel compra um auricular, caso não venha incluído, vais deixar de ouvir muitos disparates. Se for uma casa garante que esta seja a primeira e última visita dessa pessoa, e podes sempre dizer: “ uma casa maior que esta? Ouviram restante família? O próximo almoço é em casa do X porque a dele é maior que a minha!”
Familiares “então e quando é que …”
São aqueles familiares/pessoas que são insatisfeitos por natureza. Não é defeito, é feitio, estão sempre a tentar ver mais longe. Para estes o conselho é responder: é já a seguir. E pumba vais buscar uma cerveja, ao frigorífico. Quando a cerveja acabar e se as perguntas continuarem começas a fumar. Não morres de imediato, vais morrendo aos poucos, mas acabas por não te lembrar de nada!
Familiares “Sim, mas…”
Depois do “quando é que … ” vêm os “sim, mas…” e esta frase pode ser utilizada até quando se trata de uma refeição: “Sim, está bom, mas tem pouco sal” ou “Sim, está bom, mas é muito doce”.
Não é sobre nós, é sobre pessoas que têm sempre algo a acrescentar. Pode até ser positivo. Um bom truque é tentar acabar as frases dessa pessoa. Tipo: “O Benfica está à frente do campeonato, sim já sei, mas não quer dizer que o ganhe”.
E tornar isto um jogo. Quem acertar mais vezes no sentido da frase ganha o jogo, e a páginas tantas como todos os jogos ou se torna um vício, ou acabamos por nos cansar de o jogar, e desligamos.   
Familiares “tu é que tens sorte”
Estes são aqueles que, se dizemos que nas férias vamos viajar, concluem “tens tanta sorte!”. Mesmo quando dizemos “fui assediada e tive que me despedir”, eles respondem “ao menos alguém te assediou”. Estes são aqueles que quando estivermos enterrados na merda os devemos manter perto de nós: sem intenção vão-nos fazer sentir os melhores do mundo. Vão-nos ensinar a tirar proveito do lado negro da vida.
Contudo quando estamos bem, o seu mau-estar pode ser prejudicial para gozarmos o momento na plenitude, nessas alturas o único remédio é a distância!
Familiares “eu não disse isso, tu é que pensaste isso”
São aquelas pessoas que passam a vida a insinuar e que a sua presença por si só dá calafrios. Não é o que diz é como diz. E quando alguém o expõe ele responde: “eu não disse isso, tu é que interpretaste assim” ou ainda “isso não é sobre mim é sobre ti.”
E por fugazes momentos ignoras a tua intuição e inteligência e até pensas que estás errada, mas não estás. Não bebas, senão ainda podes falar e tudo o que disseres vai ser usado contra ti. E se é para ser presa que o motivo seja porque o oficial de justiça que te vai algemar é o irmão gémeo do Ryan Rosling.
Lembram-se daqueles jogos infantis? O jogo do silêncio? Ou até aquele que é sobre quem é o primeiro a pestanejar? É a altura de o jogar. O que falar primeiro perdeu. O que piscar os olhos já foi. 
Familiares “e sabes o que é que ele me disse?”
Aquelas pessoas que não sabemos como, mas sabem tudo. E além de saberem tudo, sabem ainda mais do que o que realmente aconteceu.
O que me intriga mesmo é o facto de que essas pessoas sabem mesmo TUDO!
Esses divertem-me e como já fui apanhada no meio de muita confusão tenho duas frases espetaculares que funcionam sempre: “A sério? Não fazia ideia.” E a outra é: “Bem, ao menos espero que se tenha divertido.” E de seguida concluo: “quando estiver com ele vou-lhe perguntar”.
Frequentemente a resposta é: “mas não digas que fui eu que te contei!”.
Familiares “ai senão fosses meu prim@”
Há familiares que queremos na nossa vida S E M P R E. Que quando chega um casamento queremos sentar ao lado deles. Que quando vamos a um funeral é ele que procuramos. Que não há ninguém que esteja a sua altura. Aquela tia que nos enchia os bolsos de rebuçados e pastilhas. Aquela prima que nos faz aquele bolo de chocolate. Aquele primo que nos faz sentir a prima favorita. Aqueles que nos fazem rir. Que sempre que nos lembramos deles esboçamos um sorriso. Aquelas pessoas que fazem parte de nós.

Falar de famílias ou de familiares, em particular, é falar de pessoas e da humanidade em geral.
Cheguei aqui e concluo que não importa em que fase da vida estejamos haverá sempre um FDP a tentar puxar para baixo. Haverá sempre um jójó a tentar roubar alguma coisa de nós. E não tem importância nenhuma, desde que o que nos queiram tirar não seja demasiado valioso, tipo o cartão de sócio do FCP ou aquele lugar bem à frente num concerto do Matt Berninger… senão for nada disto, mesmo importante, o meu conselho é que se lixem para o assunto. Agora se for algo mesmo importante, não pensem que a vida vai ensinar ou retribuir alguma coisa, nada disso. Lembrem-se que o que conta é a atitude. Não importa se és grande ou pequeno, tens que ser rápido.
Comigo resulta um post it com a brilhante e eterna sabedoria dos Iron Maiden: “You've got to watch them. Be quick or be dead.”
Se nada disto resultar e se por alguma motivo o álcool falhar, a minha sugestão é que se foquem, não há mal que sempre dure, e até os momentos em família, que parecem eternos, têm um fim.
E por cada 100 FDP que surgem existem 3 PDC. E esses são aqueles que nos vão segurar: seguram-nos a porta do frigorífico enquanto procuramos a cerveja mais fresca, seguram-nos o cabelo enquanto vomitamos, as nossas mãos e a língua.
E por essas 3 PDC, a longevidade continua a ser o maior dos objetivos.
Fiquem por aí não se esqueçam, não quero ninguém a falecer!
Cuidado com os tubarões e com os caracóis mal temperados!


sábado, 30 de junho de 2018

FUGIR À MORTE TODOS OS DIAS CANSA – VIDA A DOIS. O QUE É QUE FAÇO COM ISTO?


        Bem chegamos aquela fase que procuramos, porque alguém nos colocou na cabeça que é necessário para a nossa longevidade, um@ companheir@ para a vida. Alguém nos vendeu essa ideia, e acho que foi uma campanha publicitária brutal, porque a maioria das pessoas que conheço comprou-a. Ou foi isso ou então a maior parte da população é basicamente parva. O que me faz duvidar deste último argumento é o facto de conhecer muitas pessoas e nem todas elas serem completamente parvas. Pelo menos duas delas não são. (Vocês sabem de quem é que eu estou a falar) 
Porque é que temos que acordar ao lado da mesma cara até que a morte nos apanhe? Que nos apanhe a nós ou à pessoa que nos acompanha. O primeiro que se deixar apanhar deixa o outro livre! Mas se for aos 80 anos, que um de nós estique o pernil, estamos livres para o quê?
Para pegar na lista telefónica como o Gabriel o Pensador? Começar a ligar, à maluca, para aqueles números e perceber ou que aqueles números não existem, ou que aquelas pessoas não se lembram de nós, por causa do Alzheimer, ou pior ainda que elas já pereceram. Ainda acabamos por morrer de desgosto, senão nos acautelarmos.

            Numa destas nossas noites de copos, eu e a Rita já tínhamos mandado abaixo 2 jarros de vinho à pressão e começamos a falar sobre as coisas importantes da vida, alheira com batatas fritas e ovo estrelado. “Estrelado ou a cavalo?” perguntei e ela respondeu: “que dê para chafurdar com pão”. A Rita adora alheira e disse-me que só ficaria com alguém que soubesse cozinhar isso. Eu respondi: “Rita comer tanto ovo ainda te vai dar cabo do fígado.” E continuamos a beber.
            E foi aí que ela me perguntou se eu queria ir viver com ela, e eu disse que não porque já estava a viver com o José. E era complicado viver em duas casas diferentes, mas se fosse importante para ela eu até conseguia. E ela disse: “Deixa lá, eu arranjo outra pessoa para limpar a casa.” Temos uma amizade sólida!
            Mas afinal o que é que leva pessoas a quererem viver com outras pessoas?
Simples.
Já viram o preço das rendas? E a documentação que um Banco pede para conceder um empréstimo?
Então e quando falamos daquelas pessoas que herdaram uma casa e mesmo assim querem dividi-la com alguém?
O motivo é óbvio porque querem alguém para dividir as despesas.
E aqueles que ganham imenso dinheiro e que podem pagar rendas altas e as despesas?
Bem para esses a resposta é ainda mais fácil, para terem alguém que não deixe o frigorífico esvaziar e que leve o cão à rua.  
            Mas já conheci pessoas que se apaixonaram e esse é um dos piores motivos que leva alguém a juntar-se com outra pessoa. Ainda bem são raros os casos em que isto acontece.
            Há ainda outros, por exemplo, a Rita, que engravidou e achou que a criança devia conhecer o ser que participou do ato sexual.
            E, no meu caso, casei para que o José não fosse extraditado.
            Boa parte das pessoas que conheço vão viver com alguém ou porque estão entediadas, ou com falta de dinheiro.
Se alguém conhecer outro motivo fale agora, ou cale-se para sempre.
Parece que a ideia de envelhecer na casa dos pais ou rodeada de gatos está fora de moda. E não percebo porquê. A parte dos gatos percebo porque tenho medo de gatos, mas já não tenho medo dos meus pais. Aliás quase todos os pais que conheço queixam-se que os filhos não lhe ligam, ora isto não aconteceria se eles vivessem lá.
            Viver, seja com os pais, com um amigo, com namorados, com um animal de estimação, ou sozinha não importa. Não importa com quem, foquemo-nos no mais importante da frase o verbo VIVER.
Queremos viver da melhor forma e essa é perto de quem gostamos e de quem gosta de nós. Vou repetir: de quem gostamos e de quem gosta de nós. E para aguentar a dor, ou para tomar decisões válidas até à morte, não há melhor conselheiro do que a música. A melodia em sintonia com as palavras.
Aqui vos deixo a minha Seleção, o meu 11, para este Mundial que é a vida:
Aquele cabelo! Não mexe! Aqueles movimentos de pernas! Confesso que sempre encontrei semelhanças entre o Rod Stewart e o Jorge Jesus, no cabelo é certo, mas ainda assim quem canta: “time is on your side” joga no meu clube!
2.      The Cure – Mint Car
O amor e a paixão. Que seria da vida sem estes ingredientes? Que seria da vida sem The Cure? Estão uns para os outros. Amor sem paixão e sem música não está completo. Robert Smith eu sempre soube que connosco “it will always be like this, forever and ever and ever…”.
És o capitão da equipa!
Mas há quem se apaixone por pessoas desprovidas da capacidade de amar, porque jogam à defesa. E como quem se apaixona corre riscos, é bom relembrar que só se mantém uma equipa se esta é vencedora. Senão vence temos que recorrer às substituições. Acontece, mas tudo bem. Diz o Fred Mercury; “life still goes on”. Este também faz parte do meu 11.  
4.      Pet Shop Boys – Rent
Trocar um clube por outro que paga mais não é errado. Tudo depende da forma como se faz. Existem alguns princípios como a honestidade, o respeito que podem nos orientar na transferência. Ninguém quer ter um surto psicótico, ter um portátil à mão e manchar para sempre a cidade de Nova Iorque. E se o Cristiano Ronaldo quer sair do Real Madrid porque eles não querem pagar parte da sua dívida ao fisco, está no seu direito. E com os Pet Shop Boys já temos um titular e um suplente: " Look at my hopes, look at my dreams."
As interrogações fazem parte de nós e também dos outros. Ainda não estou farta de escrever que viver não é fácil. E o facto de nos questionarmos não é mau. Mas às vezes quando se recua muito no campo, e se passa a bola para a defesa não contamos com um contra-ataque e podemos sofrer um golo. Lá dizem os Talking Heads: “And you may ask yourself: -Well... How did I get here”.
Não tenham medo, podemos dar a volta ao resultado. Um empate não é mau, e quem sabe ainda damos uma goleada. E já temos mais um para o meio-campo, David Byrne.
Quando pensamos que só ainda estava um “jogador” no banco dos suplentes, espeto aqui com esta versão moderna da Família Von Trapp, que nos preenchem a vida com táticas para continuar a viver como se nunca tivéssemos saído da Terra do Nunca. E se eles conseguem, nós também nos iremos conseguir defender das lesões, das faltas de tudo o que é importante. E com o banco de suplentes completo, venha de lá esse gelo: “no cars go, where we know”.
Porque todos nós precisamos de alguém em quem confiemos. Aquele que faz a correta leitura do jogo. Que mesmo quando acabam de fazer uma falta na pequena área, e é penalti contra nós, nos diz “tu consegues”, “tu defendes isso”. O Bruce Springsten está cá para isto. Mesmo quando desligam as luzes no campo e temos que continuar a jogar: “Even if we're just dancing in the dark” 
Consegui, e agora? Ganhei o campeonato, a liga e o torneio. Então não era agora que eu iria ter verdadeiro prazer em viver? Ganhei tudo o que havia para ganhar. Consegui os melhores contratos da história e mesmo assim ainda sinto que não cheguei lá, não faz mal. O Morrisey joga nesta equipa e ele diz que é possível viver assim, deprimido e à procura desse título que ainda falta.
Às vezes as táticas falham, e outras vezes os seres humanos falham. É um facto! Mas pequenos momentos colocam-nos na memória de alguém. Pensemos no golo do Éder, que permitiu a Portugal ser pela primeira vez campeão europeu de futebol. Se calhar o Éder nem queria estar ali, mas como estava fez o seu melhor. O António Variações sei que vai dar o seu melhor, mesmo que no dia seguinte o corpo vá doer. Vamos: “Continuar a procurar o lugar" no mundo, ou na equipa!

 Neste 11 não poderia faltar Eddie Vedder porque ele sabe como nos deixar a sorrir. Porque ele não tem medo de arriscar, mesmo quando o seu público o deixa cair no chão. E ainda assim ele levanta-se e continua a jogar e sempre com classe: Don’t it make you smile?

Todos sabemos que depois de qualquer jogo o que todos queremos é ir para casa. Rever na televisão as jogadas, as falhas, ouvir os comentadores, e beber uma cerveja fresca antes que comece. Porque “Home is wherever I’m with you”.

E como treinador da equipa: David Bowie – Absolute Beginners
O nosso Mister, a sua vida, o seu exemplo, arriscou, experimentou, movimentou-se pela vida como um camaleão. Utilizou as palavras certas, frases, melodias que nos seguram, principalmente quando queremos partir a cara do árbitro.
Ninguém comum poderia cantar: “I absolutely love you?”
I've nothing much to offer; There's nothing much to take; I'm an absolute beginner; And I'm absolutely sane; As long as we're together; The rest can go to hell; I absolutely love you

Não percamos tempo da nossa vida com quem não nos trata bem. Acabaremos por descobrir que o amor não suporta tudo. Preparem-se para falhar e para aceitar as falhas dos outros, para ceder muitas vezes. Faz parte do crescimento, e crescer faz parte da vida e às vezes é doloroso, mas nós conseguimos aguentar.
Fiquem por perto porque estou a pensar numa Seleção feminina e inspiradora.
Mantenham-se por aí porque ninguém vai morrer durante a minha vigia!