sábado, 30 de junho de 2018

FUGIR À MORTE TODOS OS DIAS CANSA – VIDA A DOIS. O QUE É QUE FAÇO COM ISTO?


        Bem chegamos aquela fase que procuramos, porque alguém nos colocou na cabeça que é necessário para a nossa longevidade, um@ companheir@ para a vida. Alguém nos vendeu essa ideia, e acho que foi uma campanha publicitária brutal, porque a maioria das pessoas que conheço comprou-a. Ou foi isso ou então a maior parte da população é basicamente parva. O que me faz duvidar deste último argumento é o facto de conhecer muitas pessoas e nem todas elas serem completamente parvas. Pelo menos duas delas não são. (Vocês sabem de quem é que eu estou a falar) 
Porque é que temos que acordar ao lado da mesma cara até que a morte nos apanhe? Que nos apanhe a nós ou à pessoa que nos acompanha. O primeiro que se deixar apanhar deixa o outro livre! Mas se for aos 80 anos, que um de nós estique o pernil, estamos livres para o quê?
Para pegar na lista telefónica como o Gabriel o Pensador? Começar a ligar, à maluca, para aqueles números e perceber ou que aqueles números não existem, ou que aquelas pessoas não se lembram de nós, por causa do Alzheimer, ou pior ainda que elas já pereceram. Ainda acabamos por morrer de desgosto, senão nos acautelarmos.

            Numa destas nossas noites de copos, eu e a Rita já tínhamos mandado abaixo 2 jarros de vinho à pressão e começamos a falar sobre as coisas importantes da vida, alheira com batatas fritas e ovo estrelado. “Estrelado ou a cavalo?” perguntei e ela respondeu: “que dê para chafurdar com pão”. A Rita adora alheira e disse-me que só ficaria com alguém que soubesse cozinhar isso. Eu respondi: “Rita comer tanto ovo ainda te vai dar cabo do fígado.” E continuamos a beber.
            E foi aí que ela me perguntou se eu queria ir viver com ela, e eu disse que não porque já estava a viver com o José. E era complicado viver em duas casas diferentes, mas se fosse importante para ela eu até conseguia. E ela disse: “Deixa lá, eu arranjo outra pessoa para limpar a casa.” Temos uma amizade sólida!
            Mas afinal o que é que leva pessoas a quererem viver com outras pessoas?
Simples.
Já viram o preço das rendas? E a documentação que um Banco pede para conceder um empréstimo?
Então e quando falamos daquelas pessoas que herdaram uma casa e mesmo assim querem dividi-la com alguém?
O motivo é óbvio porque querem alguém para dividir as despesas.
E aqueles que ganham imenso dinheiro e que podem pagar rendas altas e as despesas?
Bem para esses a resposta é ainda mais fácil, para terem alguém que não deixe o frigorífico esvaziar e que leve o cão à rua.  
            Mas já conheci pessoas que se apaixonaram e esse é um dos piores motivos que leva alguém a juntar-se com outra pessoa. Ainda bem são raros os casos em que isto acontece.
            Há ainda outros, por exemplo, a Rita, que engravidou e achou que a criança devia conhecer o ser que participou do ato sexual.
            E, no meu caso, casei para que o José não fosse extraditado.
            Boa parte das pessoas que conheço vão viver com alguém ou porque estão entediadas, ou com falta de dinheiro.
Se alguém conhecer outro motivo fale agora, ou cale-se para sempre.
Parece que a ideia de envelhecer na casa dos pais ou rodeada de gatos está fora de moda. E não percebo porquê. A parte dos gatos percebo porque tenho medo de gatos, mas já não tenho medo dos meus pais. Aliás quase todos os pais que conheço queixam-se que os filhos não lhe ligam, ora isto não aconteceria se eles vivessem lá.
            Viver, seja com os pais, com um amigo, com namorados, com um animal de estimação, ou sozinha não importa. Não importa com quem, foquemo-nos no mais importante da frase o verbo VIVER.
Queremos viver da melhor forma e essa é perto de quem gostamos e de quem gosta de nós. Vou repetir: de quem gostamos e de quem gosta de nós. E para aguentar a dor, ou para tomar decisões válidas até à morte, não há melhor conselheiro do que a música. A melodia em sintonia com as palavras.
Aqui vos deixo a minha Seleção, o meu 11, para este Mundial que é a vida:
Aquele cabelo! Não mexe! Aqueles movimentos de pernas! Confesso que sempre encontrei semelhanças entre o Rod Stewart e o Jorge Jesus, no cabelo é certo, mas ainda assim quem canta: “time is on your side” joga no meu clube!
2.      The Cure – Mint Car
O amor e a paixão. Que seria da vida sem estes ingredientes? Que seria da vida sem The Cure? Estão uns para os outros. Amor sem paixão e sem música não está completo. Robert Smith eu sempre soube que connosco “it will always be like this, forever and ever and ever…”.
És o capitão da equipa!
Mas há quem se apaixone por pessoas desprovidas da capacidade de amar, porque jogam à defesa. E como quem se apaixona corre riscos, é bom relembrar que só se mantém uma equipa se esta é vencedora. Senão vence temos que recorrer às substituições. Acontece, mas tudo bem. Diz o Fred Mercury; “life still goes on”. Este também faz parte do meu 11.  
4.      Pet Shop Boys – Rent
Trocar um clube por outro que paga mais não é errado. Tudo depende da forma como se faz. Existem alguns princípios como a honestidade, o respeito que podem nos orientar na transferência. Ninguém quer ter um surto psicótico, ter um portátil à mão e manchar para sempre a cidade de Nova Iorque. E se o Cristiano Ronaldo quer sair do Real Madrid porque eles não querem pagar parte da sua dívida ao fisco, está no seu direito. E com os Pet Shop Boys já temos um titular e um suplente: " Look at my hopes, look at my dreams."
As interrogações fazem parte de nós e também dos outros. Ainda não estou farta de escrever que viver não é fácil. E o facto de nos questionarmos não é mau. Mas às vezes quando se recua muito no campo, e se passa a bola para a defesa não contamos com um contra-ataque e podemos sofrer um golo. Lá dizem os Talking Heads: “And you may ask yourself: -Well... How did I get here”.
Não tenham medo, podemos dar a volta ao resultado. Um empate não é mau, e quem sabe ainda damos uma goleada. E já temos mais um para o meio-campo, David Byrne.
Quando pensamos que só ainda estava um “jogador” no banco dos suplentes, espeto aqui com esta versão moderna da Família Von Trapp, que nos preenchem a vida com táticas para continuar a viver como se nunca tivéssemos saído da Terra do Nunca. E se eles conseguem, nós também nos iremos conseguir defender das lesões, das faltas de tudo o que é importante. E com o banco de suplentes completo, venha de lá esse gelo: “no cars go, where we know”.
Porque todos nós precisamos de alguém em quem confiemos. Aquele que faz a correta leitura do jogo. Que mesmo quando acabam de fazer uma falta na pequena área, e é penalti contra nós, nos diz “tu consegues”, “tu defendes isso”. O Bruce Springsten está cá para isto. Mesmo quando desligam as luzes no campo e temos que continuar a jogar: “Even if we're just dancing in the dark” 
Consegui, e agora? Ganhei o campeonato, a liga e o torneio. Então não era agora que eu iria ter verdadeiro prazer em viver? Ganhei tudo o que havia para ganhar. Consegui os melhores contratos da história e mesmo assim ainda sinto que não cheguei lá, não faz mal. O Morrisey joga nesta equipa e ele diz que é possível viver assim, deprimido e à procura desse título que ainda falta.
Às vezes as táticas falham, e outras vezes os seres humanos falham. É um facto! Mas pequenos momentos colocam-nos na memória de alguém. Pensemos no golo do Éder, que permitiu a Portugal ser pela primeira vez campeão europeu de futebol. Se calhar o Éder nem queria estar ali, mas como estava fez o seu melhor. O António Variações sei que vai dar o seu melhor, mesmo que no dia seguinte o corpo vá doer. Vamos: “Continuar a procurar o lugar" no mundo, ou na equipa!

 Neste 11 não poderia faltar Eddie Vedder porque ele sabe como nos deixar a sorrir. Porque ele não tem medo de arriscar, mesmo quando o seu público o deixa cair no chão. E ainda assim ele levanta-se e continua a jogar e sempre com classe: Don’t it make you smile?

Todos sabemos que depois de qualquer jogo o que todos queremos é ir para casa. Rever na televisão as jogadas, as falhas, ouvir os comentadores, e beber uma cerveja fresca antes que comece. Porque “Home is wherever I’m with you”.

E como treinador da equipa: David Bowie – Absolute Beginners
O nosso Mister, a sua vida, o seu exemplo, arriscou, experimentou, movimentou-se pela vida como um camaleão. Utilizou as palavras certas, frases, melodias que nos seguram, principalmente quando queremos partir a cara do árbitro.
Ninguém comum poderia cantar: “I absolutely love you?”
I've nothing much to offer; There's nothing much to take; I'm an absolute beginner; And I'm absolutely sane; As long as we're together; The rest can go to hell; I absolutely love you

Não percamos tempo da nossa vida com quem não nos trata bem. Acabaremos por descobrir que o amor não suporta tudo. Preparem-se para falhar e para aceitar as falhas dos outros, para ceder muitas vezes. Faz parte do crescimento, e crescer faz parte da vida e às vezes é doloroso, mas nós conseguimos aguentar.
Fiquem por perto porque estou a pensar numa Seleção feminina e inspiradora.
Mantenham-se por aí porque ninguém vai morrer durante a minha vigia!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

FUGIR À MORTE TODOS OS DIAS CANSA – SER ADULTO


 E agora o que é isto de ser adulto?
Será que tenho que sair de casa? Começar a pagar contas que não são rodadas a amigos? Deixar de fazer piadas? Acordar com um despertador? Falar da actualidade que não envolva futebol? NÃAAAO. Não queremos!
Ser adulto não é o fim do mundo, mas é o fim de muita coisa. Apesar disso não é completamente mau porque significa que ainda não foi desta que batemos as botas.
No geral, os adultos não me assustam, excepto aqueles que tentam passar-me responsabilidades. Esses assustam-me. E desses temos que fugir senão corremos o risco de crescer rápido demais.
Mesmo no fim da Secundária eu e a Rita fomos aconselhadas a ir ao Gabinete de Orientação da Escola. Ainda hoje me pergunto porque raio nos aconselhariam a fazer tal coisa, já que sempre nos orientámos tão bem, mas lá fomos.
Estes Gabinetes existem para ajudar os alunos a pensar sobre o que querem fazer no futuro. Eu e a Rita para o futuro queríamos o mesmo de sempre, tudo de bom. Bom vinho, bom som, bom tempo, bom sexo, enfim que tudo o que viesse fosse, no mínimo, bom.
Acabámos por ir ao Gabinete de Orientação, mas apenas porque pensávamos que se tratava de um Gabinete de Orientação Sexual e que no fim nos dariam contraceptivos, mas fomos enganadas. Deram-nos uns testes psicotécnicos para fazer. E com base nas respostas que demos indicaram-nos a carreira que melhor se adaptava ao nosso perfil.  
Todas as pessoas com quem falei receberam o mesmo resultado, a advocacia, inclusive a Rita. Todos dariam bons advogados. O que não me surpreende com o país que temos. Mas os meus resultados foram diferentes. Só conseguiram apurar aquilo que eu não devia fazer, e que era basicamente tudo. Não tinha jeito para nada. 
A Rita lá acabou por ir para a Universidade, com o argumento: “já viste as festas brutais que se fazem?”. Mas não me convenceu. E ela também se arrependeu, logo na primeira semana na Universidade. Os seus primeiros meses no Ensino Superior foram de difícil integração, mas a partir do momento em que os tipos que ela espancou, porque a quiseram praxar, saíram dos Cuidados Intensivos tornou-se mais fácil a sua integração. Lá começou por voltar a ser popular, a ser convidada para ir a festas e arraiais. Só muito tempo depois voltou a bater, numa tipa. E em defesa da Rita a tipa estava a pedi-las, convidou-a para entrar para a tuna. A Rita é uma pessoa muito sensível e com pouca tolerância para palhaçadas.
Comigo as coisas foram diferentes, eu fui estagiar para um sítio com horários fixxes. E posso vos dizer que desse tempo tirei dois grandes ensinamentos para a vida: o primeiro é que podemos chamar tudo aos nossos chefes, desde que eles não nos ouçam; e o segundo é que se formos agarradas pelo nosso chefe, temos que ter as mãos soltas e ser ágeis para rapidamente baixar a cara e colocar os braços à frente. É neste momento muito importante que recordemos o sábio conselho: CORRE! E também que saibamos gritar.
O dia seguinte é sempre melhor, ou não, mas pelo menos já não seremos apanhadas de surpresa.
Há ainda quem comece a trabalhar de imediato por que sim e porque não havia outra opção. E existem ainda aqueles que acabam por falecer, neste impasse.
Ser adulto não é fácil, mas nada é fácil. Na realidade dá trabalho estar sóbrio 8 horas por dia, acordar com o toque de um despertador, vestir roupa sem nódoas e sem estar amarrotadas, não adormecer nos transportes, e aprender a sorrir mesmo quando sabemos que nos estão a lixar.
E mesmo quando fazemos estes sacrifícios todos, ainda assim haverão adultos a questionar as nossas decisões. Idiotas! E de um momento para o outro, tu queres aproveitar a vida, mas já te estão a empurrar para um modelo de vida que te causa urticaria só de pensar.
E é nesse momento que tens que decidir que farás aquilo que te apetecer com a tua vida. E este manual vai preparar-te para sobreviveres a esta fase da vida.
Vou recorrer à arte de outros, e que dizem que é a sétima, porque parece que há mais seis atrás. Há pessoas com muito tempo. Então aqui vão os ensinamentos para sobreviver à “adultice”.
1.      Dirty Dancing
Este filme passa-se num campo de férias, frequentado por famílias, e onde existem atividades organizadas para as famílias. Graças a Deus que o Patrick Swayze também estava por lá, mas com outro nome, e também tinha ofertas de lazer para oferecer, de dança. E como é sabido o quão é difícil é encontrar homens que dancem bem, foi fácil para o mulherio daquele campo apaixonar-se por ele. A parte que sempre foi difícil foi a parte do salto.
Chegando a esta fase da vida queremos passar férias longe dos pais, mas este filme revela-nos o outro lado da moeda, se os nossos pais nos quiserem levar nas suas férias vamos a isso. Viajar nas condições que os nossos pais viajam é de aproveitar, não temos que nos preocupar nem com comida, nem com a roupa. Não vai ser uma seca se nos focarmos no grande objectivo: arranjar “um Patrick Swayze para as férias”.
E meus amigos para afastar a morte é bom que não aceitem para par quem não vos fizer levantar um pé do chão, pelo menos um dos pés.  
2.      The Hangover / Bridesmaids
Estes dois filmes são sobre despedidas de solteiros e os amigos que se convidam, ou organizam a despedida de solteir@. Com sorte não existem intoxicações alimentares, nem mortes, mas a ideia de trabalhar para conseguir uns trocos para estourar em Las Vegas, Amesterdão, Bangkok ou noutra parte do mundo, com os nossos amigos, é um bom objetivo. E o motivo não precisa ser uma despedida de solteiro, pode ser porque alguém se separou ou foi despedido, ou alguém morreu, ou tudo junto, o importante é ter dinheiro e amigos para viajar. Mas é necessário ter algumas precauções até porque existem muitas doenças contagiosas que não é conveniente trazer como souvenir. Ninguém quer ser preso, nem morrer. O objetivo é trabalhar para a criação de memórias e para as criar temos que nos lembrar delas por isso está fora de questão ser atropelado, cair de uma janela ou entrar em coma.
3.      The Last Kiss
Resumidamente é preciso ter cuidado com miúdas baixas e morenas, e também com amigos que não sabem mentir por nós. É muito triste não poder contar com as pessoas nos momentos que mais se precisa.
A grande lição que se tira neste filme é que podemos enganar, fugir, esconder, querer, ou deixar de querer, ou até assustarmos-nos, mas o que marca a diferença entre o ser adulto e o não ser, é que será a partir deste momento que seremos nós que temos que resolver as situações que criamos. E ninguém vai morrer de medo por isso, ok? Morrer de medo está fora de questão!
4.      The Garden State
É talvez o meu preferido destes todos. É sobre a perda. Alguém que não conseguiu rasteirar a morte e acabou por ser apanhada, talvez porque a falecida vivia presa numa cadeira de rodas, e não é muito fácil correr enquanto se está presa.
É também sobre a frustração, a solidão e a arrogância, e sobre a simplicidade de viver. Viver e sentir. Sentir que se está vivo, mas principalmente sentir as pernas e correr para longe, sempre que a morte se aproximar.
5.      Anything Else
Porque as relações humanas vistas pelos olhos do Woody Allen são perturbadoramente divertidas. Na sua loucura, no inesperado e também na importância da experiência, dos conselhos. Mas talvez o mais sábio seja acreditar que a maior parte das vezes que as coisas não dão certo é porque ainda não chegou o seu tempo. E isso é, só por si, o engodo para continuar a querer viver, somente para presenciar o momento certo!

6.      American Pie
Já perdi a conta em que número vai, mas fico só pelo primeiro destes filmes. Uma tarte nunca mais será uma tarte. Ser finalista será sempre um desafio, mas pode ser um desafio com muita piada. E ao qual sobreviveremos, e alertas. Iremos amar a ausência do nosso pai e nunca, e de forma alguma, deixaremos a nossa mãe sozinha com um colega que a considere uma “Milf”.
7.      Misery
Porque sim! E também porque é um dos melhores thrillers que assisti. E acho que nenhum adulto deveria morrer sem ver este filme. A acrescentar a este motivo, o facto de no fim da primeira e da segunda temporada do Game of Thrones ter vontade de ser a “Annie”, do filme Misery, e cuidar da saúde dos seus produtores.

Espero que tenham percebido que dêem as voltas que dêem se continuam vivos, é impossível não passar por estas fases. Com mais ou menos responsabilidades, mais ou menos álcool no sangue, mais ou menos doenças ou problemas. Tenho dicas para fugir à morte, mas ainda não tenho para parar o tempo e olhem que já parti alguns relógios só para experimentar e a única coisa que aconteceu foi chegar atrasada porque não sabia a que horas andava e ainda tive que apanhar os cacos do chão.
Fiquem por aí, e entretanto se a morte vos bater à porta não abram! Depois não digam que não vos avisei!  

segunda-feira, 30 de abril de 2018

FUGIR À MORTE TODOS OS DIAS CANSA – UPS! A ADOLESCÊNCIA TAMBÉM É ISTO!

Leiam com atenção porque só vou escrever isto uma vez.

Tinha acabado de fazer os meus 16 anos e a minha amiga Rita ofereceu-me uma caixa com duas prendas lá dentro. Uma era um bilhete para o concerto de Smashing Pumpkins, e a segunda vinha dentro de outra caixa com a seguinte mensagem: “já tiravas isso, não?”
Vocês não conhecem a Rita, mas ela é super ligada em pormenores. E eu pensei: “pronto é desta que vou ter de deixar de usar as pulseiras de pano”. Abri a segunda caixa, e para minha surpresa descobri um pack de 6 Gillettes. E outro cartão que dizia: “há quem use creme, ou cera, mas no tamanho que os teus estão, a Gillette é menos dolorosa.”
Confesso que fiquei com as lágrimas nos olhos. Ela era mesmo minha amiga!
E, foi nesse momento, que se fez luz. Descobri os pelos.
Descobri algo que sempre tinha estado debaixo do meu nariz, o buço. E debaixo dos braços, os pelos das axilas, e também a alcatifa que cobria as minhas pernas.
E posso dizer que a minha passagem pela adolescência foi menos penosa a partir do momento que os pelos deixaram de acompanhar o meu crescimento.
 (Obrigada Rita!)
Espero que vocês tenham a sorte de ter uma Rita na vossa vida. Isto porque os pais não são muito úteis nesta fase, porque para eles os filhos são os mais lindos e não crescem. E portanto, como bebés que sempre seremos, nunca teremos pelos. Mesmo quando eles se queixam dos pelos que deixamos cair pela casa e também daqueles que ficam presos no ralo da banheira.
E isto leva-me para outros pormenores que caracterizam a adolescência, e que também crescem nesta fase da vida. Por exemplo a curiosidade. Muitas experiências para fazer. A quantidade de cientistas que se revelam. Muita curiosidade para saciar.
 As saídas com amig@s, fumar, beber, namorar, sexo.
Mas vamos com calma, uma coisa de cada vez. Porque há quem faça tudo ao mesmo tempo e depois morra. Vamos, por isso, evitar constrangimentos e aborrecimentos porque só se vive uma vez!
Para se conseguir sobreviver o maior número de dias é bom perceber que, na adolescência, tem que se ser inteligente e resistente.
Passo a explicar.
Lembro-me como se fosse ontem quando tentei fumar pela primeira vez. Ia morrendo. Ninguém me explicou o que significava “travar” e quando me diziam que eu tinha que travar, eu deixava de respirar. Porque, para mim, travar é parar. E por isso eu parava de respirar. Não foi agradável. Talvez por isso, e também pelo seu sabor, o tabaco nunca me fascinou. Eu sei que vão ter que passar por esta experiência, e força, mas sejam inteligentes e não deixem de respirar por motivo nenhum. É isso que andamos a evitar. Alinhados? 
Ainda sobre o tabaco e os cuidados a ter, é importante não deixar nada nos bolsos. Algo que nos possa incriminar. Caso isto aconteça e se forem apanhados a inteligência irá safar-nos porque sabemos que os pais só querem ouvir NÃO É MEU! - “Não é meu, é da Rita. Sabes bem como são os pais dela, não são porreiros como vocês, por isso fui eu que trouxe para casa.”
Mas, muito importante, não recorram a esta desculpa mais do que duas vezes.
Devem ter sempre pastilhas ou rebuçados nos bolsos para alterar o hálito. E quanto ao cheiro da roupa e do cabelo esqueçam, só sai depois de várias lavagens a 60 graus.
Aproveito para esclarecer que no dia a seguir a uma saída não há nada de errado com a nossa voz, e não estranhem a cor do que sai do vosso nariz quando se assoam. Não há necessidade de telefonar para a SAÚDE 24. Consultem este Manual sempre que se esquecerem dos efeitos colaterais das ressacas.
Não é inteligente ir embriagado para as aulas. Não é. E quando descobertos serão denunciados aos pais o que é péssimo para a vida social. Eles perdem a confiança. E acreditem isto é o pior que pode acontecer. Acabam-se as saídas. Chegam os castigos, e os discursos sem-fim sobre a vergonha que caiu sobre a família. Uma desgraça!
Por isso, é muito importante manter as aparências. Ter boas notas! Ser do mesmo clube desportivo que o pai, e dizer todos os dias à mãe que ela é a mais bonita.
Outro pormenor que também aumenta na adolescência é o libido. Como todos sabem (principalmente os adolescentes) não é o sonho que controla a vida, mas sim as hormonas.
E se acham que exagero pensem nas explicações usadas para justificar os comportamentos dos adultos: se são insuportáveis é porque a vida sexual não lhe corre bem. Se estão bem- disposto é porque houve “festa”.
Há quem diga que os homens pensam em sexo 24 horas por dia. É pura mentira, eles também pensam em futebol.
Mas, aqui para nós, não são os homens, são as pessoas, que pensam em sexo. Em bom sexo. E aí é que entramos no busílis da questão. Quem é que tem bom sexo na adolescência? E com tantos adultos a terem mau sexo algo me diz que o problema começa aqui, na adolescência pois claro.
Namorem muito.
Perder a virgindade, meninas, não é bom. Não conheço uma única miúda que me diga que foi uma experiência maravilhosa.
A atrapalhação e a inexperiência não são boas memórias. Nesta fase da vida ainda falta a maturidade para apreciar e prolongar o momento. Assim, e para não chegar à fase adulta a ter mau sexo o melhor é ir com calma.
Contudo, e se se vai começar porque a curiosidade é muita, aqui ficam alguns alertas.  
Vamos por partes e aos poucos porque há sinais que nos revelam que tipo de namorad@ temos à frente. E ele há namorad@s que nos tiram anos de vida.

Namorad@s Shakespeare ou Camilo Castelo Branco
Há algo que nos atrai a quem diz que morre por nós, pelo amor que nos têm. Durante a adolescência ter um namorado que respira o amor que nos tem é, para mim, secante. Temos um mundo de descobertas para fazer.
Mas só podemos achar piada a isto, nesta fase da vida. Fora do contexto da adolescência quem nos fale de morrer por amor é alguém de quem queremos fugir. Mudemos de número de telemóvel, de hábitos e residência. Mais importante mudemos de namorado! 

Namorad@s Jane Austen ou Sophia Mello Breyner
Estamos completamente lixadas se estamos à espera de um Mr. Darcy ou de um amor transformador. Acreditar que isto é possível de acontecer, fora da adolescência, resulta em frustração. Meus caros na adolescência tudo parece possível. Beijar um sapo que afinal era um príncipe pode parecer real, e é mas em séries, romances e filmes.
O melhor é aprender a aceitar os defeitos. Aqueles que são possíveis de aceitar e descobrir o que realmente é importante. Quando se chega a esta idade, há coisas que já não crescem muito mais.  

Namor@dos Fernando Pessoa
Um dia procuram-te. Outro dia ignoram-te. Um dia não te largam, outro dia não querem saber de ti. Um mês depois aparecem com flores. E durante uma semana são o heterónimo mais apaixonado. Na semana seguinte surge o heterónimo cheio de questões e dúvidas. Próxima semana conhecemos o heterónimo agressivo e arrogante. E por aí adiante.
Para quem não gosta da monotonia tem aqui a pessoa ideal para partilhar uma vida, uma semana, ou um mês.
Para que definir quanto, quando e como? Certo?

Namor@dos Marques de Sade ou Oscar Wilde
Prazer garantido?! Loucura para recordar para o resto da vida? Não sei o que vos diga, destes só ouvi histórias. Mas aquelas que ouvi são para mais tarde recordar. Deixarão marcas com certeza e só rezemos que não sejam nem traumáticas, nem físicas.

Namorad@s Woody Allen, Monty Phyton, Eça de Queiroz, Miguel Esteves Cardoso e Ricardo Araújo Pereira.
Os meus favoritos. Não há drama. Existem piadas. Permite-se viver o que acontece sem grandes complicações. O drama serve para fazer as melhores piadas. Os melhores sketches. 
E lá diz a sabedoria popular que o melhor remédio é rir. Abusem destes remédios.


O meu conselho é que aproveitem esta fase pois só se é adolescente uma vez na vida. E por incrível que pareça as coisas a seguir tornam-se ainda mais complexas. E caso se mantenham iguais é porque alguma coisa não está bem.
Tudo a seu tempo, nas descobertas, sem e com juízo. Queremos ser adultos que vivem até aos 100 anos e cheios de conselhos para dar.
Aliás, ninguém quer acabar a cantar Norah Jones “… don't know why I didn't come.”
Eu pelo menos não quero… Mantenham-se por aí!