I - PEDIDO DE DESCULPAS
As minhas desculpas por vos ter
abandonado num dos momentos mais difíceis das nossas vidas.
Não importa a idade que se tem,
nunca estamos preparados, para perder algo ou alguém, que tínhamos como
garantido. Já cá estava antes de nós cá estarmos e por cá continuava, parecia
tão saudável, mas PUFF desapareceu. Para alguns tinha 96 anos, outros acham que
ela é a rainha de todos nós, há quem ache que se trata de uma bonita lenda,
alguns perderiam a vida por ela e, para muitos outros, ela é imortal.
Deixei-vos, quando a perdemos. Eu
sei, os diretos e as notícias constantes só agravaram a dor da perda. Ninguém
nos tinha preparado para estes tempos. Abandonei-vos, naqueles dias em que
estavam encurralados com a vossa família, ou sozinhos porque nem a vossa
família queria estar convosco.
Perdemos a liberdade e pior,
estávamos a sós com as Autoridades de Saúde Nacionais, e sem papel higiénico!
Porém, se conseguem ler estas
linhas é porque o glaucoma e a miopia não avançaram, mas é também sinal de que
a primeira parte do meu manual foi útil, e manteve-vos vivos.
O mundo mudou, mas se continuamos
por cá é sinal de que acompanhámos a mudança e não fizemos shutdown, o que
significa que estamos todos com a última atualização do sistema operativo
Depois Covid (DC).
O curso de escrita de humor não
me preparou para o COVID, e todos aqueles anos na Escola Secundária também não
me prepararam para ISTO. Mas afinal, o que foi ISTO?
ISTO foi uma perda de tempo!
Fugir à morte todos os dias já
nos deixava cansados, mas o COVID agravou tudo. Naquele período, de
confinamento, diziam as autoridades que sobrevivia quem se escondia, ORA ISTO É
CONTRANATURA!
Na Escola Secundária, nos tempos
Antes do Covid (AC) aprendi o grande ensinamento que retive para a vida, e que
partilhei convosco, tínhamos e, ainda, temos de ser rápidos. Não havia a
hipótese de nos escondermos ou irmos para o couto, ou no caso de alguns,
sortudos, ir para o coito. Aliás se nos escondíamos e fossemos apanhados, o
enxovalhamento era maior e apanhávamos a dobrar. Lamento, mas esconder nunca
foi uma opção.
Mas nestes últimos anos,
desaprendeu-se muito, razão pela qual vejo o meu regresso como obrigatório,
tenho de vos martelar a cabeça com os grandes ensinamentos para nos mantermos
vivos e mentalmente saudáveis. Lembram-se quais são?
Não se preocupem, caso não se
lembrem, estou aqui, qual Moisés no Egito para vos conduzir à terra prometida,
essa terra farta, com bom vinho e boa companhia.
Caso haja, uma próxima vez e vos
digam para ficar em casa, vocês fujam! Corram rápido, ponham em prática os dois
primeiros e grandes mandamentos, e não olhem para trás, senão correm o risco de
sucumbir.
Para fugir à morte todos
precisamos de espaço. E em casas, sem despensa e com 15 m2 onde é que
encontramos espaço? Ouçam e leiam-me as vezes que forem precisas, mas por
favor não fiquem em casa, é preferível desistir e morrer, contudo com
dignidade.
Assisti, em silêncio e em
sofrimento, à resposta desesperada de alguns que na tentativa de ampliar a casa
atendiam o telemóvel à janela, falavam, alongando o corpo por cima do
parapeito, correndo enormes riscos de saúde. Foi trágico! Testemunhei, pessoas
a abrir pela primeira vez a janela, emperradas, e ainda hoje tenho pesadelos
com aqueles sons. Vi, com estes dois olhos que a terra só comerá se eu não
conseguir evitar, o desespero para abrir janelas cobertas de cocó de
pterossauro. Estas pessoas correram riscos bem mais graves de saúde pública, do
que aqueles causados pelo COVID. Um flagelo, mas até hoje não vi um único
estudo sobre este tema.
Durante o confinamento, tivemos
de ceder, acabámos por desaprender e fizemos misturas. Colocámos em pausa o “Não
mistures bebidas, nomes, trabalho com prazer”, não mistures de todo! Até o
DEVES PARTILHAR caiu por terra. Já estava assimilado que “a erva é para
partilhar”, e até isso tentaram roubar de nós. Egoísmo, jamais!
Outro recuo na vida em sociedade
foram os limites à liberdade. Suspendemos por bastante tempo a liberdade de
marcar encontros ao vivo, a liberdade de organizar orgias com mais de 5
pessoas, a liberdade do swing, etc. Quiseram criar a suspeição, o medo do
desconhecido, quando esta tinha sido uma das maiores vitórias do século XIV,
com os Descobrimentos.
E sobre o sexto mandamento? O
trabalho não entra em casa, onde ficou? Não sei como foi no vosso caso, mas
aqui o gajo arrombou a porta, instalou-se e contagiou tudo por onde passou,
mais do que o COVID. Confesso, o meu PC ressentiu-se de imediato, deixaram de
ser consultadas páginas de pornografia e instalaram-se VPN, ZOOM, TEAMS e sei
lá mais o quê. Fiz tudo o que pediram, álcool gel, testes, quarentenas,
vacinação, jejum intermitente, meditação e ainda hoje o PC não recuperou, desta
fadiga pandémica.
Outro mandamento do qual a minha
visão também não recuperou, foi a excessiva utilização do fato de treino.
Amig@s, Amig@s, leiam, retenham, memorizem, seja de que marca for, o FATO DE
TREINO só se justifica em campos de concentração. Li artigos deprimentes sobre
esta epidemia, um dilema com que temos de lidar no futuro, a sua continuidade
como dress code formal. AMIG@S não há justificação, não se deixem enganar,
fato de treino não é opção NUNCA e muito menos quando os ginásios estão
fechados. Expliquem-me, se tudo está feio e cinzento porquê piorar o cenário
com aquela roupa a fazer pandã, que algum ser preguiçoso pensou para outros
seres ainda mais preguiçosos! A vida ficou difícil, mas não desistam dela! E se
desistirem, já vos disse, façam-no com dignidade!
Por último, quando ouvirem falar
deste tempo como uma oportunidade para mudar, ou pensar nas coisas boas da
vida, estar grato por elas, dar mais valor às coisas simples, não aceitem essa
conversa. Vomitem! Um dia estávamos bem, noutro dia estávamos presos em casa.
Pensar em mudar causou maior frustração e desânimo, afinal mudar de onde para
onde? Talvez mudar de canal fosse possível, mas só se fossemos os mais rápidos
a chegar ao comando.
Só uma minoria, pôde mudar de
vida, mas essas poderiam mudar em qualquer altura, não precisavam do COVID, nem
do 19, nem de outro qualquer. A mudança
é uma coisa boa, mas quando somos nós a decidir.
Foi neste momento de aprendizagem
que vos deixei sozinha, e sem papel higiénico, mas já que aqui estão, peço que
me perdoem e que me deem uma segunda oportunidade. Permitam que recupere a
vossa confiança, por partilhar a nova tábua dos dez mandamentos.
Tal como Moisés fez, assim o
faço, desci do Monte Sinai, vi que muitos de vocês estão perdidos e de fato de
treino. Vejo, por isso muitas razões para que estes mandamentos sejam gravados.
Nada está garantido, atentem no que aconteceu com a nossa liberdade e com a
rainha Isabel II.
Temos, por estes motivos, de nos
manter unidos para chegar aos 100 anos, vestindo Vivienne Westwood, para isso
memorizem:
1. Não te deixarás apanhar! FOGE;
2. Não olhes para trás! CORRE RÁPIDO;
3. Não ficarás sem espaço! SAI PARA A RUA;
4. Não farás misturas! SÓ AS QUE TE DEIXAM
FELIZ;
5. Irás partilhar! MAS NÃO MOLHES;
6. O trabalho não entrará em casa, “AGRADECE,
MAS NÃO PRECISAS”;
7. Não ficarás só! TINDER, MEETIC, OKCUPID, HAPPN, BUMBLE,
BADOO, HER, GRINDR, THE LEAGUE, PLENTY OF FISH, LOVE FLUTTER, COFFEE MEETS
BAGEL, etc.
8. Não usarás fato de treino! ANTES NÚ DO QUE
MAL VESTIDO;
9. Mudarás! QUANDO E COMO QUISERES.
10. O álcool é sagrado! NÃO USARÁS O ÁLCOOL EM
VÃO - não O usarás na mão!
Consegui o vosso perdão? Não?!
Ainda não!
Mais uma oportunidade?
Vamos a isso?