terça-feira, 18 de abril de 2023

Fugir à morte, todos os dias, cansa | MANUAL II | CAPITULO III - Kit de sobrevivência.

CAPITULO III - Kit de sobrevivência. 

Como é sabido, fugir à morte todos os dias cansa, mas é a única opção que temos. Para facilitar esta árdua tarefa, devemos ter connosco um conjunto de ferramentas essenciais e simples, tais como: calçado porque correr descalço, na calçada ou no alcatrão, dói para caraças; falta de noção, ser inconveniente protege-nos, as pessoas receiam-nos e por isso deixamos de participar em eventos que nos envelhecem; a vergonha, o pudor coíbe e coibir é mau, é logo um verbo difícil de conjugar e depois faz-nos acreditar em mitos, tal como o papel de uma senhora – aquilo que é permitido fazer ou dizer – a vergonha limita. Abaixo a vergonha!

Existem, outras ferramentas, mas não tão importantes como o bom calçado, que também facilitam a vida: um alguém ; um local físico e  um espaço não físico.

Desde bem cedo, que senti na pele que não se pode/deve dizer tudo o que se pensa. Aprendi esta lição de várias formas, ora porque apanhava, ora porque ficava de castigo, ora porque era convidada a sair da sala de aula. Demorou, algum tempo para aqui chegar, mas percebi que cantarolar uma música ou declamar um poema mentalmente, não ofende ninguém e é de grande ajuda para manter o silêncio e a saúde mental e foi, assim, com prazer que dei os primeiros passos na memorização, neste espaço não físico exerço o meu direito à liberdade de expressão. 

Também percebi que era importante ter um esconderijo e apesar de ter crescido numa casa com um sótão, o local físico onde me refugiava era a casa de banho, era neste local, com ou sem necessidades urgentes e inadiáveis, que me escondia, ou para não pôr a mesa ou para fugir a qualquer coisa. Confesso, que depois de ter descoberto este paraíso nunca mais o larguei, atualmente frequento-o, mas lamentavelmente sem tanta privacidade porque as crianças, esses seres selvagens e egoístas, não respeitam nada, nem ninguém. 

Quanto ao alguém, e sabemos bem que às vezes mais vale só do que mal-acompanhado, esse alguém tem de ser de confiança porque é com quem despejamos a nossa carga e sabemos que esta carga pode ser pesada, mas também pode ser de porcelana. Por esta razão, é importante uma boa seleção de um ou vários amigo(s). Sabemos bem que manter um amigo dá trabalho e consome muito tempo, imaginem vários, por isso, sejam poucos, mas bons. 

Pelo contrário, não ter amigos é dispendioso, mais cedo ou mais tarde gasta-se uma fortuna em psicoterapia, psicanálise, psicotrópicos, antidepressivos, reguladores de humor, detetives, em pessoas que contratamos para bater em alguém, sexo pago, etc. 

Por isso, se querem manter um, ou vários amigos na vossa vida, arranjem tempo e preocupem-se, os amigos são como os tamagochi, temos de cuidar deles, e manter as suas necessidades básicas satisfeitas, e de vez em quando, ou frequentemente, desligá-los.

Se não tivesse descoberto o papel fundamental dos amigos na vida, como é que teria chegado aqui? Quem é que tinha? 

  1. Corroborado a minha história, junto dos meus pais, para passar a noite fora ou ficar na rua depois da hora marcada?  
  2. Emprestado um alguidar para vomitar?  
  3. Emprestado as chaves de sua casa?  
  4. Riscado o carro do ex.?  
  5. Usado como desculpa para dizer que os cigarros não eram meus? 
  6. Ajudado a despejar a roupa do ex-companheiro pela janela?
  7. Dito a coisa mais estúpida, que fez soltar uma ou muitas gotas de xixi, de tanto rir?  

Esta tribo a que chamamos amigos, são comunidades peculiares, que identificamos conforme o momento:    

Amigos super-heróis, quase nunca estão presentes, mas sabemos que se precisarmos eles aparecem para lutar contra o mal; 

Amigos interesseiros, que, como o adjetivo indica, têm interesse em alguma coisa, no meu caso, quase sempre é para conhecer os meus irmãos mais velhos porque, como todos sabem, não tenho dinheiro para emprestar. Estes amigos, são muitas vezes uma boa surpresa. 

Amigos peregrinos, caminham lado a lado, nos bons momentos são cúmplices e nos maus bocados fazem-nos prometer que não voltamos a cair no mesmo erro. Estamos sempre a pagar promessas: "se me livrar disto eu juro que..."; "depois desta, eu juro que não volto a fazer…" e eles estarão lá para cobrar. 

Amigos da farra, aqueles que onde quer que estejamos, seja no Rookie ou num velório, eles sempre sabem como animar a malta. 

Amigos CM , que nos trazem sempre as últimas novidades. 

Amigos "eu avisei", são muito maduros, quase sempre têm razão, são como uma bússola, dão imenso jeito para nos orientar e conseguem ser muito irritantes.

Amigos "não fui eu", Aqueles que nunca têm culpa, que não fizeram nada, que não perceberam, que não tiveram a intenção e que não compreendemos bem. Com estes crescemos imenso porque nos preparam para os "FDP" da vida.

Amigos "precisas de uma mãozinha",  aqueles que nos desafiam e nos atiram para o precipício, não têm uma, têm duas mãos e são super-rápidos a usá-laaaaaaaaas!!!!

Amigos, amigos de todas as cores e formas, quem os tem, sabe que esta comunidade de seres pode ser tudo num só, pode ser isto tudo e muito mais, e só depende do momento, do que beberam ou fumaram. 

A este propósito, vou falar-vos de uma amiga que me tem acompanhado. Recordam-se da Rita? Como devem imaginar, ela não ajuda a carregar merdas de ninguém e por isso ensina-nos a transportar o essencial. 

A Rita, é licenciada em engenharia civil, e sempre soube que queria ser engenheira, não porque gostasse de qualquer tipo de engenharia, mas porque segundo ela, estes tipos de Faculdades tinham maioritariamente turmas masculinas.  

A primeira vez que partilhou isto comigo, os meus olhos encheram-se de lágrimas e com orgulho, disse-lhe: “És um génio! Depois apresentas-me os teus colegas?”

Ela abanou a cabeça e respondeu: "Não contes comigo, tens de te fazer à vida, vou estudar o homem-macho, descobrir por que raio é que eles se julgam melhores que as mulheres."

Eu, estaria em pânico se fosse um rapaz em engenharia. 

No final do 1º ano a Rita já tinha as conclusões do seu estudo, utilizou diversos métodos e, no fim, organizou um jantar para defender a sua tese. 

Lá fomos nós, para a nossa tasca, na Calçada da Bica, e a Rita começou por dizer que aquela presunção masculina era alimentada pelas mães, as avós, as irmãs e as namoradas, enfim pelas mulheres. 

Escolheu alguns colegas para observação direta, chegou a namorar com um ou outro, ou vários e em simultâneo, e o motivo pelo qual terminou as relações foi sempre o mesmo, o protecionismo matriarcal e concluiu em tom de ameaça, que se apanhasse alguma de nós, suas amigas, a desculpar um abuso ou um mal trato de um homem, ou até de outra mulher, seríamos obrigadas a abastecer o frigorífico de sua casa com álcool, durante um ano. Tivemos de ter muito cuidado porque nenhuma de nós ganha assim tanto dinheiro.

Já aconteceu uma de nós descair-se e partilhar algo que nos punha num grande sarilho com ela, mas isto acontece porque a Rita é matreira, é aquela pessoa que cria uma zona de conforto e confiança, que nos põe à vontade e depois lixa-nos a cabeça. Prepara-nos para a vida.

Uma vez contou-nos que um familiar de um ex-namorado lhe disse: "Desde que vocês andam juntos que ele está magro, deves ser uma cozinheira muito ruim..." ao que ela respondeu "FDS, que comida?!? Eu só ando com ele pelo sexo!"

Nós, reconhecíamos aquele episódio. Todas tínhamos uma história semelhante, mas à qual não tínhamos respondido e sabe-se lá porquê, talvez porque não valia a pena. Contudo, para a Rita, vale sempre a pena! 

A Rita tem feito um ótimo trabalho comigo, tenho feito enormes progressos e graças a ela agora só demoro sete anos a resolver as minhas merdas. 

Mas o trabalho dela comigo tem sido menos penoso porque não é solitário, e por isso agradeço a todos os meus amigos, aos lugares físicos e imateriais, ao calçado, à falta de noção e de vergonha, aos livros, à música, à natureza, a tudo o que me/nos inspira e acompanha nesta fuga diária.


P.S. Hoje é o dia da Rita! Parabéns à Rita! God save Rita!!!!  

terça-feira, 21 de março de 2023

Fugir à morte, todos os dias, cansa | MANUAL II | CAPÍTULO II - Deus nos livre de um bom professor!

Capítulo II - Deus nos livre de um bom professor!

No início de cada ano letivo constato que as crianças esqueceram tudo o que aprenderam no ano anterior. Tornaram-se em seres estranhos, que animais selvagens temem. O regresso à escola é então um enorme desafio. Têm de reaprender muita coisa, a vestir roupa, a lavar as mãos, a usar talheres, a tomar banho numa casa de banho, a ficar sentados, a articular frases, a escutar e o mais difícil a comunicar sem gritar. Os adultos sabem bem o que isso custa. Há anos que tenho a impressão de que o momento de regresso de férias é, SEMPRE, uma punição.

É o momento, no qual compreendo, plenamente, o título do livro Crime e castigo – nem preciso de ler as 576 páginas porque sei bem de que trata a história. O crime, no caso das crianças, são os 3 meses de férias, de liberdade, de tempo livre, de recreio, o qual merece o pesado castigo do regresso. Todos têm de saber, a bem ou mal e bem cedo, que a liberdade é um luxo. O castigo, neste caso, é o regresso à escola. Este é o local onde existem: cadeiras e mesas, horários, o(s) Jójó(s), as regras, e por fim, aquilo que mais se receia, às vezes, raramente e com muito azar, os bons professores.

Estes professores dedicados, com vocação (tomem nota das próximas palavras porque vão dar jeito no futuro, obviamente se quiserem ter um futuro) disruptivos e resilientes são das piores coisas que pode acontecer. Acreditem no meu raciocínio, mas mais importante, na minha experiência.

Puxem pela cabeça - não literalmente porque caso o façam, com muita força e convicção, podem causar danos irreversíveis - e acompanhem-me nesta viagem às memórias mais recônditas. Recordem um destes professores ou, com muita sorte, todos estes tipos de professores: preconceituoso, violento físico/verbalmente, desrespeitoso, incapaz de ensinar e explicar, que não se sabe vestir (traumas visuais irreparáveis), deprimido, e/ou ausente, que cospe enquanto fala (sendo que esta última característica não é das mais graves, quem nunca… que atire a primeira pedra, e por aí adiante.  

Conseguem lembrar-se do seu nome? E na importância que tiveram na vossa vida? Desapareceram, as marcas deles foram enterradas ou desvaneceram com a maquilhagem correta.

Agora vamos voltar a fazer o mesmo exercício, mas têm de pensar nos bons professores aqueles que vos inspiraram, fizeram pensar, ensinaram a ser melhores, a manifestar, a expressar. Nunca conheceram um? Que sorte!!!

Porém, se tiveram um ou mais, conseguem lembrar-se do seu nome? 

Provavelmente também não porque a idade é lixada e leva muita coisa, entre elas a memória, contudo, e com azar percebem e identificam a diferença e lamentavelmente valorizam o seu papel na vossa vida.

Este é o cerne da questão, o bom professor acompanha-nos pela vida, como se fosse um fantasma, e isso condiciona as nossas ações. Leva-nos a pensar duas vezes sempre que queremos falar mal do sistema de educação ou dos professores porque não queremos generalizar (Os sacanas ensinaram bem e não conseguimos apagar o bom senso, e isso limita-nos, não é justo!). Não queremos falar mal da Fernanda, da Lucília, ou de outros Professores que nos inspiraram, motivaram, nos ajudaram a tornar “boa gente crescida”, a viver em sociedade, a respeitar a diferença, a pensar, a questionar e a compreender o mundo. Em suma, entorpeceram o nosso instinto de sobrevivência. 

Receamos ser injustos, com os professores, pois sabemos que foi algum bom professor que os levou a escolher uma carreira no ensino obrigatório, e que os levou a esquecer do que isto envolve. 

Os bons professores são tóxicos, fazem-nos acreditar. Com tamanha confiança deixamos de correr, de prestar atenção e acabamos por sucumbir. 

Não sei se ainda vou a tempo, mas antes de escolherem trabalhar numa escola, reflitam sobre essa decisão, se acham que vão encontrar pessoas bonitas, e ensinar os adultos do futuro, esqueçam isso rápidamente, as crianças são seres cruéis e os seus pais são piores do que elas. Amig@s, não há pai ou mãe, por mais bonzões que sejam, que valham este sacrifício. 

No vosso futuro, vejo talento desperdiçado em rimas e cartazes que farão para levar nas manifestações em que vão participar, até aos 80 anos, a idade da vossa reforma e o momento que chegam ao topo da carreira. 

Desistam, nunca vão conseguir estar a par das "últimas tendências" das políticas de educação nacionais, irão desperdiçar a vossa vida porque um dia encontraram um bom professor, vão apanhar de todos, vão morrer cedo e sem saber onde foram colocados!   

Para evitar este desfecho, defendo que o sistema não deve funcionar, deve continuar como está, afastar e cansar os bons professores, deve destruir os poucos que existem. Não queremos - eu, pelo menos, não quero – deixar de ter desculpas para não ir à escola, para faltar às aulas, para “mandar umas bocas”. Não estamos preparados - eu, certamente, não estou - para deixar de ter desculpas para não gostar de matemática!

Ter um sistema de educação e formação ambicioso, que responda às necessidades das crianças, dos profissionais, das famílias e das comunidades, é um objetivo para países de pequena dimensão, países que não têm um Cristiano Ronaldo. 

É por este motivo que não devemos desistir porque este país não tem um, mas dois Ministérios,  Educação e Ensino Superior, prontos para dar cabo disto tudo. 

Deus nos livre de um bom professor! 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Fugir à morte, todos os dias, cansa | MANUAL II | CAPÍTULO I - PEDIDO DE DESCULPAS

I - PEDIDO DE DESCULPAS

 As minhas desculpas por vos ter abandonado num dos momentos mais difíceis das nossas vidas.

Não importa a idade que se tem, nunca estamos preparados, para perder algo ou alguém, que tínhamos como garantido. Já cá estava antes de nós cá estarmos e por cá continuava, parecia tão saudável, mas PUFF desapareceu. Para alguns tinha 96 anos, outros acham que ela é a rainha de todos nós, há quem ache que se trata de uma bonita lenda, alguns perderiam a vida por ela e, para muitos outros, ela é imortal.

Deixei-vos, quando a perdemos. Eu sei, os diretos e as notícias constantes só agravaram a dor da perda. Ninguém nos tinha preparado para estes tempos. Abandonei-vos, naqueles dias em que estavam encurralados com a vossa família, ou sozinhos porque nem a vossa família queria estar convosco.

Perdemos a liberdade e pior, estávamos a sós com as Autoridades de Saúde Nacionais, e sem papel higiénico!

Porém, se conseguem ler estas linhas é porque o glaucoma e a miopia não avançaram, mas é também sinal de que a primeira parte do meu manual foi útil, e manteve-vos vivos.

O mundo mudou, mas se continuamos por cá é sinal de que acompanhámos a mudança e não fizemos shutdown, o que significa que estamos todos com a última atualização do sistema operativo Depois Covid (DC).

O curso de escrita de humor não me preparou para o COVID, e todos aqueles anos na Escola Secundária também não me prepararam para ISTO. Mas afinal, o que foi ISTO?

ISTO foi uma perda de tempo!

Fugir à morte todos os dias já nos deixava cansados, mas o COVID agravou tudo. Naquele período, de confinamento, diziam as autoridades que sobrevivia quem se escondia, ORA ISTO É CONTRANATURA!

Na Escola Secundária, nos tempos Antes do Covid (AC) aprendi o grande ensinamento que retive para a vida, e que partilhei convosco, tínhamos e, ainda, temos de ser rápidos. Não havia a hipótese de nos escondermos ou irmos para o couto, ou no caso de alguns, sortudos, ir para o coito. Aliás se nos escondíamos e fossemos apanhados, o enxovalhamento era maior e apanhávamos a dobrar. Lamento, mas esconder nunca foi uma opção.

Mas nestes últimos anos, desaprendeu-se muito, razão pela qual vejo o meu regresso como obrigatório, tenho de vos martelar a cabeça com os grandes ensinamentos para nos mantermos vivos e mentalmente saudáveis. Lembram-se quais são?

Não se preocupem, caso não se lembrem, estou aqui, qual Moisés no Egito para vos conduzir à terra prometida, essa terra farta, com bom vinho e boa companhia. 

Caso haja, uma próxima vez e vos digam para ficar em casa, vocês fujam! Corram rápido, ponham em prática os dois primeiros e grandes mandamentos, e não olhem para trás, senão correm o risco de sucumbir. 

Para fugir à morte todos precisamos de espaço. E em casas, sem despensa e com 15 m2 onde é que encontramos espaço? Ouçam e leiam-me as vezes que forem precisas, mas por favor não fiquem em casa, é preferível desistir e morrer, contudo com dignidade.

Assisti, em silêncio e em sofrimento, à resposta desesperada de alguns que na tentativa de ampliar a casa atendiam o telemóvel à janela, falavam, alongando o corpo por cima do parapeito, correndo enormes riscos de saúde. Foi trágico! Testemunhei, pessoas a abrir pela primeira vez a janela, emperradas, e ainda hoje tenho pesadelos com aqueles sons. Vi, com estes dois olhos que a terra só comerá se eu não conseguir evitar, o desespero para abrir janelas cobertas de cocó de pterossauro. Estas pessoas correram riscos bem mais graves de saúde pública, do que aqueles causados pelo COVID. Um flagelo, mas até hoje não vi um único estudo sobre este tema. 

Durante o confinamento, tivemos de ceder, acabámos por desaprender e fizemos misturas. Colocámos em pausa o “Não mistures bebidas, nomes, trabalho com prazer”, não mistures de todo! Até o DEVES PARTILHAR caiu por terra. Já estava assimilado que “a erva é para partilhar”, e até isso tentaram roubar de nós. Egoísmo, jamais!

Outro recuo na vida em sociedade foram os limites à liberdade. Suspendemos por bastante tempo a liberdade de marcar encontros ao vivo, a liberdade de organizar orgias com mais de 5 pessoas, a liberdade do swing, etc. Quiseram criar a suspeição, o medo do desconhecido, quando esta tinha sido uma das maiores vitórias do século XIV, com os Descobrimentos.

E sobre o sexto mandamento? O trabalho não entra em casa, onde ficou? Não sei como foi no vosso caso, mas aqui o gajo arrombou a porta, instalou-se e contagiou tudo por onde passou, mais do que o COVID. Confesso, o meu PC ressentiu-se de imediato, deixaram de ser consultadas páginas de pornografia e instalaram-se VPN, ZOOM, TEAMS e sei lá mais o quê. Fiz tudo o que pediram, álcool gel, testes, quarentenas, vacinação, jejum intermitente, meditação e ainda hoje o PC não recuperou, desta fadiga pandémica.

Outro mandamento do qual a minha visão também não recuperou, foi a excessiva utilização do fato de treino. Amig@s, Amig@s, leiam, retenham, memorizem, seja de que marca for, o FATO DE TREINO só se justifica em campos de concentração. Li artigos deprimentes sobre esta epidemia, um dilema com que temos de lidar no futuro, a sua continuidade como dress code formal. AMIG@S não há justificação, não se deixem enganar, fato de treino não é opção NUNCA e muito menos quando os ginásios estão fechados. Expliquem-me, se tudo está feio e cinzento porquê piorar o cenário com aquela roupa a fazer pandã, que algum ser preguiçoso pensou para outros seres ainda mais preguiçosos! A vida ficou difícil, mas não desistam dela! E se desistirem, já vos disse, façam-no com dignidade!

Por último, quando ouvirem falar deste tempo como uma oportunidade para mudar, ou pensar nas coisas boas da vida, estar grato por elas, dar mais valor às coisas simples, não aceitem essa conversa. Vomitem! Um dia estávamos bem, noutro dia estávamos presos em casa. Pensar em mudar causou maior frustração e desânimo, afinal mudar de onde para onde? Talvez mudar de canal fosse possível, mas só se fossemos os mais rápidos a chegar ao comando.

Só uma minoria, pôde mudar de vida, mas essas poderiam mudar em qualquer altura, não precisavam do COVID, nem do 19, nem de outro qualquer.  A mudança é uma coisa boa, mas quando somos nós a decidir.

Foi neste momento de aprendizagem que vos deixei sozinha, e sem papel higiénico, mas já que aqui estão, peço que me perdoem e que me deem uma segunda oportunidade. Permitam que recupere a vossa confiança, por partilhar a nova tábua dos dez mandamentos.

Tal como Moisés fez, assim o faço, desci do Monte Sinai, vi que muitos de vocês estão perdidos e de fato de treino. Vejo, por isso muitas razões para que estes mandamentos sejam gravados. Nada está garantido, atentem no que aconteceu com a nossa liberdade e com a rainha Isabel II.

Temos, por estes motivos, de nos manter unidos para chegar aos 100 anos, vestindo Vivienne Westwood, para isso memorizem:

1.    Não te deixarás apanhar! FOGE;

2.    Não olhes para trás! CORRE RÁPIDO;

3.    Não ficarás sem espaço! SAI PARA A RUA;

4.    Não farás misturas! SÓ AS QUE TE DEIXAM FELIZ;

5.    Irás partilhar! MAS NÃO MOLHES; 

6.    O trabalho não entrará em casa, “AGRADECE, MAS NÃO PRECISAS”; 

7.   Não ficarás só!  TINDER, MEETIC, OKCUPID, HAPPN, BUMBLE, BADOO, HER, GRINDR, THE LEAGUE, PLENTY OF FISH, LOVE FLUTTER, COFFEE MEETS BAGEL, etc.

8.    Não usarás fato de treino! ANTES NÚ DO QUE MAL VESTIDO;

9.    Mudarás! QUANDO E COMO QUISERES.

10.   O álcool é sagrado! NÃO USARÁS O ÁLCOOL EM VÃO - não O usarás na mão!

Consegui o vosso perdão? Não?!

Ainda não!

Mais uma oportunidade? 

Vamos a isso?