quinta-feira, 8 de outubro de 2015

a culpa é da vontade

Para começar este post pensei em algo como: "Olá  o meu nome é ... e há  22 dias que não  passo a ferro os lençóis, as toalhas,  e toda aquela roupa que fica bem com um ou outro esticão. "
Não  estaria a escrever sobre isto se não  tivesse presente a culpa de não passar toda a roupa a ferro. O que irão  dizer se olharem para as toalhas ou para os lençóis,  esperem ninguém  pensa nada, é a minha cabeça  que pensa e que fica preocupada porque lhe ensinaram o que é  ser uma "dona de casa capaz".
Pois bem hoje venho tentar resolver esta culpa por  pedir desculpa à roupa que é esticada ou imediatamente dobrada e pedir que me desculpe, mas tem sabido tão  bem.
Agora são  mais esticados, por exemplo, os lençóis ora quando vão para gaveta, ora quando vão  para a cama, mas continuam a saber bem, a saber a cama lavada.
E apesar da culpa fazer as suas aparições espero continuar a pensar como é bom libertarmos-nos de carga desnecessária. E se algum destes dias tiver uma recaída batam-me forte na cabeça porque há  coisas que não  valem a pena. Aquelas que acontecem porque sempre foram assim e não  fazem sentido, não  nos fazem sentido.
Culpa à parte venha a vontade de ser e viver mais.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

mais uma semana...

Pois, mais uma semana passou. O que difere da que se segue ou da que a antecedeu?
Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta- Feira.

O despertador toca The National às 7 da manhã (que boa escolha para aquele momento difícil ). Hora do banho.
Calma, com as ofensas verbais daqueles que acordam bem mais cedo... calma que isto só acontece se  o M. não acordar mais cedo e despertar, por exemplo esta madrugada,  às 06h30 ele quis falar e eu tive que escutá -lo, na semana passada quis brincar às quatro da manhã... parece que estes "desvarios" estão contemplados nas letras pequenas do contrato de mãe/filho.
Mas imaginemos uma manhã desejada e apreciada, hora do banho, semi vestida, preparar a M. e o M. para a escola. Tomar o pequeno almoço e insistir em sair de casa vestida e com os miúdos.
Tentar chegar à  escola até às 9 horas, distribuir os miúdos pelas salas. Esperar que o M. não chore. Respirar fundo e ligar o raciocínio para coisas do trabalho.
Ainda a gozar da redução do horário, sair do trabalho e acelerar para ir buscar os putos.
Chegar a casa, colocar o coelho na gaiola, limpar o chão por causa do lixo que ele fez, para o M. não  por na boca. Amamentar.  Lanchar com a M.. Banhos. Jantar. Passar a ferro. Estender/apanhar a roupa. Arrumar a casa. Organizar o caos. Dar colo. Vigiar. Jantar. E finalmente, sentar ou deitar. Uns dias umas coisas, outros dias outras coisas.

Então e sábado e domingo?  Acordar mais tarde? ainda não... entre tratar de roupas; sopas e outras comidas, e  as compras da semana, festas de aniversário ou outros compromissos... estes dois dias passam a correr e acabam com a preparação das malas para a escola na 2ªf.

Digam-me mães com horários  completos como conseguem?
E acrescentam a esta lista o verificar deveres da escola ou levar os filhos a atividades extra - escolares.
Onde fica o romance?
Onde se deixa o cansaço?
E sem pensar nos últimos cinco anos sem dormir uma noite completa, nem nos dias e noites de doença, e na impossibilidade de uma mãe ficar doente...
e apesar disso...
voltar a fazer o mesmo, a tentar perceber onde se vai buscar a força  para sorrir dos disparates, a paciência para suportar as teimosias, e a alegria pelo privilégio?
Que venha mais uma semana... e com ela venham esses super ingredientes que dão sabor à vida, raros e valiosos e que escasseiam.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A caminho de...

As minhas reflexões são espontâneas, os meus sorrisos e os meus olhares são espontâneos. Cada vez tenho mais certeza disso, não me queiram ver contrariada...

Com a idade vem a resiliência, mas vem também a coragem, às vezes em doses pequenas, mas que temos que  ir conquistando. Umas vezes a plenos pulmões outras vezes em jeito de sussurro.

Numa destas reflexões dei por mim a pensar naquilo que faço, naquilo que não faço e nas justificações que utilizo para cada um destes casos. Quase sempre é porque não tenho tempo! Aquelas que não faço porque não tenho vontade ou energia, adiam-se, mas aquelas que não faço porque não tenho tempo deixaram-me confusa. Como é que nesta fase da minha vida ainda não tenho tempo? Trabalho? Sim, mas nem sempre meu, boa parte do trabalho que assumo/assumi como meu são carga que não quero carregar mais. 
Não quero porque fico com olheiras, cansada, com rugas e cabelos brancos e consequentemente sem energia! Sem sorrir??? E se há valor que não posso deixar que me tirem é a vontade de sorrir. É como se tirassem de mim a fé, a esperança - deixar de ter em que acreditar.

Há uma culpa latente em mim, nas minhas ações, nos meus silêncios, nas minhas resignações. Há um medo de desaprovação, de injustiça, de não saber explicar, de perder...

Se mais alguém se reconhece nestas palavras e neste sentir, então é tempo de acordar/mos porque estamos/estou a perder a oportunidade de viver, sem culpa e sem medos, de viver plenamente. 
Basta, digo eu, basta de fugir e de enganos. Podemos dizer não e não ter que explicar esse não, tem que ser possível respirar fundo e dizer nada, somente porque eu sinto que é assim que deve ser! 

Assim e para início de ano decidi que vou TENTAR ser egoísta, mas egoísta sem culpas. Que vou aprender a sofrer, neste caminho, mas olhando para o grande objectivo - ficar livre. 
Livre da mesquinhice, dos sacrifícios, das observações e da inveja. 

Espero conseguir atingir esta liberdade, ou esta paz, não sei quanto ainda irei sofrer, nem sei quando, contudo se for para viver mais plenamente daqui a 20 anos, ou somente uma semana, que seja, porque terá valido a pena. 

Quero começar quanto antes este percurso, e por isso tinha que escrever!

... um bom ano!
... uma vida em paz!