quarta-feira, 17 de maio de 2023

Fugir à morte, todos os dias, cansa | MANUAL II | Capítulo IV - Sobreviver à bondade.

Não sei se vos acontece, mas sempre me foi difícil zangar com as pessoas boazinhas, no entanto tal não é impossível. 
E como é que sei isto? Aprendi da melhor forma, à bruta e por repetição.

Sou teimosa e gosto de apanhar, pelo menos é o que a Rita me grita várias vezes para dentro do ouvido, acordando toda a parte do meu cérebro que hibernava, e que acorda para a vida em sobressalto.

A primeira vez, que verifiquei que ser boazinha não nos leva a lado nenhum, foi quando, numa estação do metro, vi um invisual passar por mim, em direção a umas escadas, o que me deixou em estado de alerta. Antecipei a sua incapacidade para subir os degraus e armei-me em boazinha. Agarrei o seu braço para o auxiliar, ele de imediato começou a berrar comigo, para o largar.

Foi uma cena muito triste, da qual saí enxovalhada. O que me levou a decidir NUNCA AGARRAR UM DESCONHECIDO.
 
Quando contei isto à Rita, ela foi implacável e sábia, alertou-me de imediato: 
-  “tu é que sabes o que é que queres para tua miserável vida, porque tenho agarrado bastantes desconhecidos e tenho me safado muito bem!”

Isto levou-me a recuar no tempo, e a recuperar as memórias da infância. Afinal, desde muito cedo, sabia que isto de ser boa pessoa tem muito que se lhe diga. Só não sabia o que fazer com essa informação. Será que alguém por aí teve uma experiência semelhante à minha? Com as vizinhas do bairro? Aquelas senhoras que gostam muito de nós,e até nos dão doces, ou bonecas, mas que também gostam muito de se meter na vida dos outros, e que nos iludem com aqueles mimos… Até ao derradeiro momento em que descobrimos que são elas que vão fazer queixinhas aos nossos pais. Que a razão pela qual apanhamos é porque elas têm a bondade de se meter onde não são chamadas. Aquelas ofertas estão envenenadas pelo seu remorso/culpa. Este era um tipo de bondade que dispensávamos bem.
Quando partilhei com a Rita sobre esta recente epifania, pedi-lhe que me fizesse um teste para saber se tinha curado a minha bondadeblindness.
Ela adorou a ideia, estava preparadíssima para aquele momento, diria que desde que nassceu, estava estranhamente feliz...
Começou por perguntar por um ex-namorado: 
- “Olha lá, lembras-te do Pedro Mendes? E do que ele te disse quando terminou?”
- “Sim, claro. Ele foi um querido, disse que eu merecia melhor, que estava num momento que não podia dar-me tudo o que eu merecia e que sabia que havia alguém merecedor à minha espera. Apesar de lhe custar muito, e estava certo de que se iria arrepender, mas tinha de me libertar para que eu pudesse encontrar essa pessoa."

A Rita, enquanto ria à gargalhada, perguntou-me: 
- “Pensaste mais alguma vez nessa conversa?”
E eu respondi que sim. Ao que ela acrescentou: - “Pensaste em quê?”
E eu disse
- “No óbvio, quantas vezes ele já se tinha arrependido!!!

Ela não conseguia parar de rir, sempre soube que eu tinha acreditado naquela conversa de treta, mesmo depois de , um dia depois, o ter encontrado com a Ana Paula do 12º B.

Como vocês sabem a Rita "está lá" desde os primórdios, e por isso conseguiu recuperar imensos episódios. Histórias de ex-namorados, de professores que deram uma negativa porque achavam que podia fazer melhor, de amigos e familiares que pediam para não reclamar porque era boazinha, de chefes que não melhoraram a situação no trabalho, porque isso poderia causar inveja, enfim uma lista de atos bondosos tóxicos. 

E a Rita, que sempre me chamou de inocente questionou, novamente, se eu estaria curada, e preparada para ver as coisas como elas realmente são.
E foi nesse momento que tomei consciência que a doença não é a minha bondade, mas sim a eterna crença na justiça da bondade.  Assim, vejo nesta revelação um desígnio que é preparar-vos para sobreviver à bondade(zinha).

Estejam atentos!

Primeiro, se és uma boa pessoa e caminhas para ser o próximo mártir, também conhecido, por Jesus Cristo, verifica se tens o poder da ressurreição porque senão vais morrer e é para sempre.

Segundo, se os falsos positivos não te incomodam a tua sobrevivência está assegurada não há como chegar a ti. 

Terceiro, e o mais importante, é que a sobrevivência depende do próprio, e esta partilha é transversal a tudo na vida, estar atento e ser rápido são ações fundamentais.

Lembram-se da história do Lobo mau? Sabem porque é que ele morre sempre?
Porque é mau? Não. 
Porque acredita na bondade do Capuchinho Vermelho, dos porquinhos, e dos cabritinhos e de todos os outros bonzinhos e baixa as suas defesas, desligou o seu instinto.

Em todas as histórias, a lição é sempre a mesma.

Eu dizia que a lição é que o bem triunfa sobre o mal, mas a Rita sempre disse que a lição é: “não te fies”.

Não está em causa quem tem razão, mas a conclusão é sempre a mesma, tens de ser rápido. Precisas de continuar a correr e a fugir, caso contrário FOSTE!

E se pensas que não aprendeste nada sobre a bondade, vou deixar outra dica, com a bondade dos anos que passam, por todos nós, além de precisares de estar em forma para continuar a correr, também é necessário que escutes e vejas bem, senão morres porque não viste a linha, nem o comboio, nem a trave, nem a perna estendida que te vai rasteirar. 

Lembra-te que se é para sucumbir, fá-lo em grande, com dignidade, com uma boa razão para constar no obituário, senão e  até lá, mantém-te vivo!

terça-feira, 18 de abril de 2023

Fugir à morte, todos os dias, cansa | MANUAL II | CAPITULO III - Kit de sobrevivência.

CAPITULO III - Kit de sobrevivência. 

Como é sabido, fugir à morte todos os dias cansa, mas é a única opção que temos. Para facilitar esta árdua tarefa, devemos ter connosco um conjunto de ferramentas essenciais e simples, tais como: calçado porque correr descalço, na calçada ou no alcatrão, dói para caraças; falta de noção, ser inconveniente protege-nos, as pessoas receiam-nos e por isso deixamos de participar em eventos que nos envelhecem; a vergonha, o pudor coíbe e coibir é mau, é logo um verbo difícil de conjugar e depois faz-nos acreditar em mitos, tal como o papel de uma senhora – aquilo que é permitido fazer ou dizer – a vergonha limita. Abaixo a vergonha!

Existem, outras ferramentas, mas não tão importantes como o bom calçado, que também facilitam a vida: um alguém ; um local físicoum espaço não físico.

Desde bem cedo, que senti na pele que não se pode/deve dizer tudo o que se pensa. Aprendi esta lição de várias formas, ora porque apanhava, ora porque ficava de castigo, ora porque era convidada a sair da sala de aula. Demorou, algum tempo para aqui chegar, mas percebi que cantarolar uma música ou declamar um poema mentalmente, não ofende ninguém e é de grande ajuda para manter o silêncio e a saúde mental e foi, assim, com prazer que dei os primeiros passos na memorização, neste espaço não físico exerço o meu direito à liberdade de expressão. 

Também percebi que era importante ter um esconderijo e apesar de ter crescido numa casa com um sótão, o local físico onde me refugiava era a casa de banho, era neste local, com ou sem necessidades urgentes e inadiáveis, que me escondia, ou para não pôr a mesa ou para fugir a qualquer coisa. Confesso, que depois de ter descoberto este paraíso nunca mais o larguei, atualmente frequento-o, mas lamentavelmente sem tanta privacidade porque as crianças, esses seres selvagens e egoístas, não respeitam nada, nem ninguém. 

Quanto ao alguém, e sabemos bem que às vezes mais vale só do que mal-acompanhado, esse alguém tem de ser de confiança porque é com quem despejamos a nossa carga e sabemos que esta carga pode ser pesada, mas também pode ser de porcelana. Por esta razão, é importante uma boa seleção de um ou vários amigo(s). Sabemos bem que manter um amigo dá trabalho e consome muito tempo, imaginem vários, por isso, sejam poucos, mas bons. 

Pelo contrário, não ter amigos é dispendioso, mais cedo ou mais tarde gasta-se uma fortuna em psicoterapia, psicanálise, psicotrópicos, antidepressivos, reguladores de humor, detetives, em pessoas que contratamos para bater em alguém, sexo pago, etc. 

Por isso, se querem manter um, ou vários amigos na vossa vida, arranjem tempo e preocupem-se, os amigos são como os tamagochi, temos de cuidar deles, e manter as suas necessidades básicas satisfeitas, e de vez em quando, ou frequentemente, desligá-los.

Se não tivesse descoberto o papel fundamental dos amigos na vida, como é que teria chegado aqui? Quem é que tinha? 

  1. Corroborado a minha história, junto dos meus pais, para passar a noite fora ou ficar na rua depois da hora marcada?  
  2. Emprestado um alguidar para vomitar?  
  3. Emprestado as chaves de sua casa?  
  4. Riscado o carro do ex.?  
  5. Usado como desculpa para dizer que os cigarros não eram meus? 
  6. Ajudado a despejar a roupa do ex-companheiro pela janela?
  7. Dito a coisa mais estúpida, que fez soltar uma ou muitas gotas de xixi, de tanto rir?  

Esta tribo a que chamamos amigos, são comunidades peculiares, que identificamos conforme o momento:    

Amigos super-heróis, quase nunca estão presentes, mas sabemos que se precisarmos eles aparecem para lutar contra o mal; 

Amigos interesseiros, que, como o adjetivo indica, têm interesse em alguma coisa, no meu caso, quase sempre é para conhecer os meus irmãos mais velhos porque, como todos sabem, não tenho dinheiro para emprestar. Estes amigos, são muitas vezes uma boa surpresa. 

Amigos peregrinos, caminham lado a lado, nos bons momentos são cúmplices e nos maus bocados fazem-nos prometer que não voltamos a cair no mesmo erro. Estamos sempre a pagar promessas: "se me livrar disto eu juro que..."; "depois desta, eu juro que não volto a fazer…" e eles estarão lá para cobrar. 

Amigos da farra, aqueles que onde quer que estejamos, seja no Rookie ou num velório, eles sempre sabem como animar a malta. 

Amigos CM , que nos trazem sempre as últimas novidades. 

Amigos "eu avisei", são muito maduros, quase sempre têm razão, são como uma bússola, dão imenso jeito para nos orientar e conseguem ser muito irritantes.

Amigos "não fui eu", Aqueles que nunca têm culpa, que não fizeram nada, que não perceberam, que não tiveram a intenção e que não compreendemos bem. Com estes crescemos imenso porque nos preparam para os "FDP" da vida.

Amigos "precisas de uma mãozinha",  aqueles que nos desafiam e nos atiram para o precipício, não têm uma, têm duas mãos e são super-rápidos a usá-laaaaaaaaas!!!!

Amigos, amigos de todas as cores e formas, quem os tem, sabe que esta comunidade de seres pode ser tudo num só, pode ser isto tudo e muito mais, e só depende do momento, do que beberam ou fumaram. 

A este propósito, vou falar-vos de uma amiga que me tem acompanhado. Recordam-se da Rita? Como devem imaginar, ela não ajuda a carregar merdas de ninguém e por isso ensina-nos a transportar o essencial. 

A Rita, é licenciada em engenharia civil, e sempre soube que queria ser engenheira, não porque gostasse de qualquer tipo de engenharia, mas porque segundo ela, estes tipos de Faculdades tinham maioritariamente turmas masculinas.  

A primeira vez que partilhou isto comigo, os meus olhos encheram-se de lágrimas e com orgulho, disse-lhe: “És um génio! Depois apresentas-me os teus colegas?”

Ela abanou a cabeça e respondeu: "Não contes comigo, tens de te fazer à vida, vou estudar o homem-macho, descobrir por que raio é que eles se julgam melhores que as mulheres."

Eu, estaria em pânico se fosse um rapaz em engenharia. 

No final do 1º ano a Rita já tinha as conclusões do seu estudo, utilizou diversos métodos e, no fim, organizou um jantar para defender a sua tese. 

Lá fomos nós, para a nossa tasca, na Calçada da Bica, e a Rita começou por dizer que aquela presunção masculina era alimentada pelas mães, as avós, as irmãs e as namoradas, enfim pelas mulheres. 

Escolheu alguns colegas para observação direta, chegou a namorar com um ou outro, ou vários e em simultâneo, e o motivo pelo qual terminou as relações foi sempre o mesmo, o protecionismo matriarcal e concluiu em tom de ameaça, que se apanhasse alguma de nós, suas amigas, a desculpar um abuso ou um mal trato de um homem, ou até de outra mulher, seríamos obrigadas a abastecer o frigorífico de sua casa com álcool, durante um ano. Tivemos de ter muito cuidado porque nenhuma de nós ganha assim tanto dinheiro.

Já aconteceu uma de nós descair-se e partilhar algo que nos punha num grande sarilho com ela, mas isto acontece porque a Rita é matreira, é aquela pessoa que cria uma zona de conforto e confiança, que nos põe à vontade e depois lixa-nos a cabeça. Prepara-nos para a vida.

Uma vez contou-nos que um familiar de um ex-namorado lhe disse: "Desde que vocês andam juntos que ele está magro, deves ser uma cozinheira muito ruim..." ao que ela respondeu "FDS, que comida?!? Eu só ando com ele pelo sexo!"

Nós, reconhecíamos aquele episódio. Todas tínhamos uma história semelhante, mas à qual não tínhamos respondido e sabe-se lá porquê, talvez porque não valia a pena. Contudo, para a Rita, vale sempre a pena! 

A Rita tem feito um ótimo trabalho comigo, tenho feito enormes progressos e graças a ela agora só demoro sete anos a resolver as minhas merdas. 

Mas o trabalho dela comigo tem sido menos penoso porque não é solitário, e por isso agradeço a todos os meus amigos, aos lugares físicos e imateriais, ao calçado, à falta de noção e de vergonha, aos livros, à música, à natureza, a tudo o que me/nos inspira e acompanha nesta fuga diária.


P.S. Hoje é o dia da Rita! Parabéns à Rita! God save Rita!!!!  

terça-feira, 21 de março de 2023

Fugir à morte, todos os dias, cansa | MANUAL II | CAPÍTULO II - Deus nos livre de um bom professor!

Capítulo II - Deus nos livre de um bom professor!

No início de cada ano letivo constato que as crianças esqueceram tudo o que aprenderam no ano anterior. Tornaram-se em seres estranhos, que animais selvagens temem. O regresso à escola é então um enorme desafio. Têm de reaprender muita coisa, a vestir roupa, a lavar as mãos, a usar talheres, a tomar banho numa casa de banho, a ficar sentados, a articular frases, a escutar e o mais difícil a comunicar sem gritar. Os adultos sabem bem o que isso custa. Há anos que tenho a impressão de que o momento de regresso de férias é, SEMPRE, uma punição.

É o momento, no qual compreendo, plenamente, o título do livro Crime e castigo – nem preciso de ler as 576 páginas porque sei bem de que trata a história. O crime, no caso das crianças, são os 3 meses de férias, de liberdade, de tempo livre, de recreio, o qual merece o pesado castigo do regresso. Todos têm de saber, a bem ou mal e bem cedo, que a liberdade é um luxo. O castigo, neste caso, é o regresso à escola. Este é o local onde existem: cadeiras e mesas, horários, o(s) Jójó(s), as regras, e por fim, aquilo que mais se receia, às vezes, raramente e com muito azar, os bons professores.

Estes professores dedicados, com vocação (tomem nota das próximas palavras porque vão dar jeito no futuro, obviamente se quiserem ter um futuro) disruptivos e resilientes são das piores coisas que pode acontecer. Acreditem no meu raciocínio, mas mais importante, na minha experiência.

Puxem pela cabeça - não literalmente porque caso o façam, com muita força e convicção, podem causar danos irreversíveis - e acompanhem-me nesta viagem às memórias mais recônditas. Recordem um destes professores ou, com muita sorte, todos estes tipos de professores: preconceituoso, violento físico/verbalmente, desrespeitoso, incapaz de ensinar e explicar, que não se sabe vestir (traumas visuais irreparáveis), deprimido, e/ou ausente, que cospe enquanto fala (sendo que esta última característica não é das mais graves, quem nunca… que atire a primeira pedra, e por aí adiante.  

Conseguem lembrar-se do seu nome? E na importância que tiveram na vossa vida? Desapareceram, as marcas deles foram enterradas ou desvaneceram com a maquilhagem correta.

Agora vamos voltar a fazer o mesmo exercício, mas têm de pensar nos bons professores aqueles que vos inspiraram, fizeram pensar, ensinaram a ser melhores, a manifestar, a expressar. Nunca conheceram um? Que sorte!!!

Porém, se tiveram um ou mais, conseguem lembrar-se do seu nome? 

Provavelmente também não porque a idade é lixada e leva muita coisa, entre elas a memória, contudo, e com azar percebem e identificam a diferença e lamentavelmente valorizam o seu papel na vossa vida.

Este é o cerne da questão, o bom professor acompanha-nos pela vida, como se fosse um fantasma, e isso condiciona as nossas ações. Leva-nos a pensar duas vezes sempre que queremos falar mal do sistema de educação ou dos professores porque não queremos generalizar (Os sacanas ensinaram bem e não conseguimos apagar o bom senso, e isso limita-nos, não é justo!). Não queremos falar mal da Fernanda, da Lucília, ou de outros Professores que nos inspiraram, motivaram, nos ajudaram a tornar “boa gente crescida”, a viver em sociedade, a respeitar a diferença, a pensar, a questionar e a compreender o mundo. Em suma, entorpeceram o nosso instinto de sobrevivência. 

Receamos ser injustos, com os professores, pois sabemos que foi algum bom professor que os levou a escolher uma carreira no ensino obrigatório, e que os levou a esquecer do que isto envolve. 

Os bons professores são tóxicos, fazem-nos acreditar. Com tamanha confiança deixamos de correr, de prestar atenção e acabamos por sucumbir. 

Não sei se ainda vou a tempo, mas antes de escolherem trabalhar numa escola, reflitam sobre essa decisão, se acham que vão encontrar pessoas bonitas, e ensinar os adultos do futuro, esqueçam isso rápidamente, as crianças são seres cruéis e os seus pais são piores do que elas. Amig@s, não há pai ou mãe, por mais bonzões que sejam, que valham este sacrifício. 

No vosso futuro, vejo talento desperdiçado em rimas e cartazes que farão para levar nas manifestações em que vão participar, até aos 80 anos, a idade da vossa reforma e o momento que chegam ao topo da carreira. 

Desistam, nunca vão conseguir estar a par das "últimas tendências" das políticas de educação nacionais, irão desperdiçar a vossa vida porque um dia encontraram um bom professor, vão apanhar de todos, vão morrer cedo e sem saber onde foram colocados!   

Para evitar este desfecho, defendo que o sistema não deve funcionar, deve continuar como está, afastar e cansar os bons professores, deve destruir os poucos que existem. Não queremos - eu, pelo menos, não quero – deixar de ter desculpas para não ir à escola, para faltar às aulas, para “mandar umas bocas”. Não estamos preparados - eu, certamente, não estou - para deixar de ter desculpas para não gostar de matemática!

Ter um sistema de educação e formação ambicioso, que responda às necessidades das crianças, dos profissionais, das famílias e das comunidades, é um objetivo para países de pequena dimensão, países que não têm um Cristiano Ronaldo. 

É por este motivo que não devemos desistir porque este país não tem um, mas dois Ministérios,  Educação e Ensino Superior, prontos para dar cabo disto tudo. 

Deus nos livre de um bom professor!