Escolhi ser feliz!
Que linda frase! Pergunto-me se alguém escolhe, voluntariamente, que quer ser infeliz...
Como se houvesse uma racionalidade que se liga e desliga e que controla o sentir.
Gostaria de saber como se mede a felicidade? Que escala devo utilizar?
Venham os métodos quantitativos ou qualitativos dizer o que me parece óbvio, essa coisa que varia tanto e que nos deixa feliz por momentos, ou que nos faz feliz durante muito tempo, essa coisa que não sabemos bem como, mas que está plantada algures no nosso Ser e Sentir e que não pode ser comprada ou emprestada.
Essa coisa que vive dentro de nós, e que não faz de nós "um pateta feliz", mas que acontece, não porque escolhemos, mas porque é assim, não sempre, mas quando se sente essa coisa, nem sabemos explicar, ela ultrapassa-nos, rasga de imediato os nossos lábios e acelera o coração.
Posso escolher os sapatos, o vestido ou o bâton, mas não posso escolher a felicidade, e ela não nos escolhe. Construimos conceitos e hábitos. Idealizamos o perfeito para nós e para outros, criamos ilusões.
Porém não podemos esquecer que somos um somatório de acontecimentos, que vão desde o nascimento até à morte e aquilo que sentimos, sobre o que vivemos, o que temos ou o que queremos é nosso.
E se calhar por pensar que não se trata de uma escolha, mas de uma batalha, uns dias percebo a felicidade como uma conquista e outros dias como um objectivo, mas não quero sobrevalorizar a felicidade, nem gastá-la em palavras, quero mais vivê-la e aprender a saboreá-la.
E se a pergunta fosse "o que é a felicidade para ti?" eu responderia "muitas coisas", e algumas delas coisas bem tristes.
Talvez porque considere que só somos felizes à medida que somos gratos, sou grata por todos os sentidos que possuo que me deixam assimilar a vida!
Além do mais, acho que nenhuma destas escolhas são espontâneas, no que toca a sentimentos, na minha opinião, as reacções são respostas a estímulos.
"Escolhi ser triste!", ou "Decidi que vou tornar a vida dos outros impossível", não vende tão bem como "Escolhi ser feliz".
E as frases feitas vendem porque alguém nos ensinou que as pessoas gostam da felicidade, ninguém gosta de mal-dispostos...
Mas sabem o que aprendi na vida? A verdade dos sentimentos vem de dentro, não importa quanto tempo e como, mas o genuíno conhece-se pelo seu brilho verdadeiro, e esse ninguém pode tomar de nós!
Agarrem-se ao verdadeiro, e se houver muito trabalho para fazer óptimo temos muita vida pela frente, se houver pouco trabalho para fazer óptimo porque teremos mais tempo para usufruir e senão houver trabalho para fazer, desconfiem ;)))
terça-feira, 17 de junho de 2014
terça-feira, 27 de maio de 2014
Coisas terrenas
Há algum tempo que ando para retomar a escrita aqui neste
espaço que elegi para divagar, mas andava absorta em leituras. Dessas leituras recomendo
a Banalidade do Mal de Hannah Arendt, senão gostam de ler e apreciam filmes
vejam o filme com o nome da autora/filosofa Hannah Arendt.
Consegui surpreender-me com a interpretação dos factos ,
feita por ela, e por acontecimentos históricos que desconhecia relacionados com
o holocausto.
Fiquei presa, desde o início do livro, a uma frase da autora
que dizia qualquer coisa como: “ o mal é extremo, nunca é radical , só o bem é
radical”.
Ainda bem que fiquei presa, ainda bem que pessoas humanas e
carnais falam sobre estas coisas para deixarmos de pensar que só a perfeição de
Jesus Cristo, ou de Deus, ou outro qualquer ser superior, ou santo podem conseguir
chegar ao patamar do perdão e do bem.
É bom perceber que apesar da humanidade/mundanidade (não sei se esta palavra existe) das pessoas é possível
perceber o poder do fazer o bem e o de deixar prevalecer o mal porque, a meu ver , é uma opção
individual e inata ao ser vivo.
Com essa grande diferença o bem e o mal são extremos,
opostos, mas só o bem é radical porque só ele pode transformar profundamente
pela positiva.
Acreditar que fazer o bem pode ser a chave para a
transformação dos valores vigentes exige coragem porque o bem é comummente
confundido por ingenuidade ou ignorância.
E há quem se aproveite, abuse, humilhe porque pensa que o
seu pensamento , ou as suas acções são superiores. Enfurece ver que há sempre quem queira destruir a passividade e a serenidade de
alguém que não se deixa afectar por esta maldade. É bom sentir que essa paz de
espiríto é verdadeira
Eu tenho a sorte de conhecer alguns exemplos destes.
É preciso caminhar muito para perceber que o mal tem que
acabar em algum lado, e se foi no meio do bem que decidimos viver, que seja em
nós que o mal acabe.
E no meio das coisas terrenas não deixemos que o mal se
torne banal, não deixemos de nos incomodar, e lutar pelo bem dentro e à nossa
volta.
E cada vez que a tentação nos levar a fazer alguma maldade,
que seja uma daquelas bem pequenas, daquelas que não prejudica ninguém, se é
que esse tipo de maldadezinha existe
;)))
sexta-feira, 28 de março de 2014
O que fazer com aquilo?
Reserva e deixa que faça sentido.
A pressa nunca foi boa conselheira, mas por momentos escrevi cozinheira invés de conselheira, e isso fez-me lembrar de uma história.
Havia um restaurante onde o cheiro da comida inebriava qualquer um, o ar que se respirava sabia sempre a qualquer coisa que iria deliciar mais a barriga do que o nariz.
Um dia em conversa com uma das donas, e também cozinheira, perguntei qual era o segredo "daquela cozinha" e ela explicou: " nunca levanto o lume, está sempre em lume brando, faço tudo com tempo e assim a comida ganha o gosto ao seu tempo".
Claro que eu não fui capaz de aplicar esta sábia partilha na minha cozinha, ser esta pessoa que faz tudo com tempo. Na minha cozinha às vezes ainda não descongelou e já está na panela. A cozinha não é o local para eu exercer uma profissão.
Na minha profissão diria que o segredo é paciência e atenção, que confesso que uns dias tenho mais e outros dias menos.
Das "great expectations" que tinha para 2014 uma delas, que me causou uma grande tristeza, não se irá realizar porque não é conveniente aos interesses instalados. Estas coisas do poder e do poderzinho, das influências não são coisas de filmes acontecem na vida real, com pessoas e locais que nem vale a pena considerar pois a sua importância não é nenhuma.
A decisão foi Maquiavélica. Em detrimento do correto ou do justo vence o conveniente, não interessa se se tem que ludribiar os valores. Mas também quem é que pensa em valores?
Só se forem os valores da Bolsa.
Entretanto ficava a questão: o que fazer com aquilo que acontece, que não pedimos ou esperávamos?
Não era bom, não era mau, era uma oportunidade, uma mudança, era qualquer coisa...
Reservamos e esperamos. Somos prudentes e agimos corretamente, às vezes o que acontece é só um exercicio de reciclagem aos nossos sentidos, um teste para passar, para testar as nossas reações. E como sempre defendo há duas formas de fazer as coisas, a bem e a mal, e são também nestes momentos que a parte de nós que reservou, entendeu, que lhe fez sentido. As emoções fazem sempre sentido a quem sente, e com essas emoções que passamos a racionalizar sobre esta coisa que é viver.
Cada vez penso mais que a nossa vida é um prato bem confeccionado, e é com o tempo que ganha sabor ;).
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