sábado, 9 de agosto de 2014

O Dia Mais Feliz

Acabei de ler o livro Bésame mucho do pediatra Carlos González e o último capítulo "O Dia Mais Feliz" deixou-me cheia de esperança. 

Depois do autor partilhar histórias sobre este dia ele concluiu: 

"Os dias mais felizes da nossa infância são aqueles em que os nossos pais (ou os nossos avós,irmãos ou amigos) nos fizeram felizes. Mesmo quando nos parece que foi um comboio elétrico que nos fez felizes, se olharmos bem, há sempre alguém por detrás: os pais que no-lo entregam com um sorriso ou com um elogio, o irmão com o qual partilhamos (nem sempre de boa vontade)... Éramos filhos e agora somos pais. [...] Olhamos para os nossos filhos e perguntamo-nos que dia, que frase, que aventura ficarão gravados para sempre na sua memória; que dores ficarão gravadas na sua alma e que alegrias guardarão como um tesouro. Os dias mais felizes do seu filho estão ainda para acontecer. Dependem de vocês"


O que me deixou a pensar no alcance destas palavras, não somente para os filhos, mas para todos aqueles que nos rodeiam, que fazem a diferença, que são parte de nós, o nosso companheiro, os nossos amigos, todos "os nossos" em como muitos dias felizes estão para vir e como nós podemos estar por detrás desses dias. 

Muitos dias felizes estão para acontecer! Que bom! Venham eles!!!

Agradeço o livro, que recomendo, que me consolou e inspirou para certas ações que não vinham no Manual de Instruções sobre como "sentir, viver, e cuidar". E por falar neste Manual de instruções alguém o viu ;)? Ou sabe onde posso consultá-lo???

Encontrar esse Manual deve ser um desses momentos/dias felizes que estão porvir.

Até breve!  

terça-feira, 17 de junho de 2014

Vende-se felicidade!

Escolhi ser feliz!

Que linda frase! Pergunto-me se alguém escolhe, voluntariamente, que quer ser infeliz...
Como se houvesse uma racionalidade que se liga e desliga e que controla o sentir.

Gostaria de saber como se mede a felicidade? Que escala devo utilizar?
Venham os métodos quantitativos ou qualitativos dizer o que me parece óbvio, essa coisa que varia tanto e que nos deixa feliz por momentos, ou que nos faz feliz durante muito tempo, essa coisa que não sabemos bem como, mas que está plantada algures no nosso Ser e Sentir e que não pode ser comprada ou emprestada.

Essa coisa que vive dentro de nós, e que não faz de nós "um pateta feliz", mas que acontece, não porque escolhemos, mas porque é assim, não sempre, mas quando se sente essa coisa, nem sabemos explicar, ela ultrapassa-nos, rasga de imediato os nossos lábios e acelera o coração. 

Posso escolher os sapatos, o vestido ou o bâton, mas não posso escolher a felicidade, e ela não nos escolhe. Construimos conceitos e hábitos. Idealizamos o perfeito para nós e para outros, criamos ilusões.

Porém não podemos esquecer que somos um somatório de acontecimentos, que vão desde o nascimento até à morte e aquilo que sentimos, sobre o que vivemos, o que temos ou o que queremos é nosso. 

E se calhar por pensar que não se trata de uma escolha, mas de uma batalha, uns dias percebo a felicidade como uma conquista e outros dias como um objectivo, mas não quero sobrevalorizar a felicidade, nem gastá-la em palavras, quero mais vivê-la e aprender a saboreá-la.

E se a pergunta fosse "o que é a felicidade para ti?" eu responderia "muitas coisas", e algumas delas coisas bem tristes.
Talvez porque considere que só somos felizes à medida que somos gratos, sou grata por todos os sentidos que possuo que me deixam assimilar a vida!

Além do mais, acho que nenhuma destas escolhas são espontâneas, no que toca a sentimentos, na minha opinião,  as reacções são respostas a estímulos.

"Escolhi ser triste!", ou "Decidi que vou tornar a vida dos outros impossível", não vende tão bem como "Escolhi ser feliz".

E as frases feitas vendem porque alguém nos ensinou que as pessoas gostam da felicidade, ninguém gosta de mal-dispostos...

Mas sabem o que aprendi na vida? A verdade dos sentimentos vem de dentro, não importa quanto tempo e como, mas o genuíno conhece-se pelo seu brilho verdadeiro, e esse ninguém pode tomar de nós!

Agarrem-se ao verdadeiro, e se houver muito trabalho para fazer óptimo temos muita vida pela frente, se houver pouco trabalho para fazer óptimo porque teremos mais tempo para usufruir e senão houver trabalho para fazer, desconfiem ;)))

terça-feira, 27 de maio de 2014

Coisas terrenas

Há algum tempo que ando para retomar a escrita aqui neste espaço que elegi para divagar, mas andava absorta em leituras. Dessas leituras recomendo a Banalidade do Mal de Hannah Arendt, senão gostam de ler e apreciam filmes vejam o filme com o nome da autora/filosofa Hannah Arendt.


Consegui surpreender-me com a interpretação dos factos , feita por ela, e por acontecimentos históricos que desconhecia relacionados com o holocausto.
Fiquei presa, desde o início do livro, a uma frase da autora que dizia qualquer coisa como: “ o mal é extremo, nunca é radical , só o bem é radical”.

Ainda bem que fiquei presa, ainda bem que pessoas humanas e carnais falam sobre estas coisas para deixarmos de pensar que só a perfeição de Jesus Cristo, ou de Deus, ou outro qualquer ser superior, ou santo podem conseguir chegar ao patamar do perdão e do bem.
É bom perceber que apesar da humanidade/mundanidade (não sei se esta palavra existe) das pessoas é possível perceber o poder do fazer o bem e o de deixar prevalecer  o mal porque, a meu ver , é uma opção individual e inata ao ser vivo.

Com essa grande diferença o bem e o mal são extremos, opostos, mas só o bem é radical porque só ele pode transformar profundamente pela positiva. 
Acreditar que fazer o bem pode ser a chave para a transformação dos valores vigentes exige coragem porque o bem é comummente confundido por ingenuidade ou ignorância.
E há quem se aproveite, abuse, humilhe porque pensa que o seu pensamento , ou as suas acções são superiores.  Enfurece ver que há sempre quem queira destruir a passividade e a serenidade de alguém que não se deixa afectar por esta maldade. É bom sentir que essa paz de espiríto é verdadeira
Eu tenho a sorte de conhecer alguns exemplos destes.
 
É preciso caminhar muito para perceber que o mal tem que acabar em algum lado, e se foi no meio do bem que decidimos viver, que seja em nós que o mal acabe.

E no meio das coisas terrenas não deixemos que o mal se torne banal, não deixemos de nos incomodar, e lutar pelo bem dentro e à nossa volta.


E cada vez que a tentação nos levar a fazer alguma maldade, que seja uma daquelas bem pequenas, daquelas que não prejudica ninguém, se é que esse tipo de maldadezinha existe ;)))