domingo, 7 de fevereiro de 2016

O BENFIQUISMO

O benfiquismo é o que alguns designam como um sentimento, outros como uma doença, e ainda uns como A religião. É vivido intensamente por milhões de pessoas, não tem idade, cor ou género.

Não há meio termo para o benfiquismo é tudo muito intenso, vai de um extremo ao outro, nada é equilibrado.
Como se pode perceber o benfiquismo está intimamente relacionado com o Sport Lisboa Benfica, esse clube que fica na 2ª circular da cidade de Lisboa, em Portugal, mas que se estende ao mundo inteiro porque para que este benfiquismo se verifique só precisamos que haja um benfiquista.

Os principais sintomas são: diminuição de atenção para assuntos que não sejam benfiquistas, acompanhado em simultâneo de perda de audição,  existem também reflexos que decorrem dos relatos, ou acontecem durante a emissão de um jogo de futebol, são basicamente movimentos como bracejar, ou esticar as pernas e os pés e novamente recolhê-los, seja em pé ou sentado, é um desassossego.
Costumam praguejar e gemer.
Vivem os jogos como se fosse o último jogo que irão assistir, falam sobre os jogos e as jogadas centenas de vezes e anos a fio.

O benfiquismo é um comportamento obsessivo que costuma terminar com a consulta e comparação de todas as análises desportivas que passam na televisão, acrescentando aos comentaristas televisivos a leitura atenta do nada parcial jornal A BOLA.

Ainda não estão conhecidos tratamentos eficazes ou até medicamentos que possam aliviar o benfiquismo.

Mas como conviver com o benfiquismo?

  1. Aceitá-lo como algo positivo! Antes ir a um jogo do benfica do que ter uma relação extraconjugal; 
  2. Aproveitar os jogos para fazer aqueles pedidos difíceis para o orçamento familiar como: "precisava mesmo de comprar esta mala channel... "é vintage, iria fazer-me tão feliz...", (o momento mais oportuno é a seguir a um golo do SLB...); 
  3. Incentivá-lo a ir ao estádio ver o jogo e levar os filhos com ele. Um momento em família que serve para nós fazermos o que queremos, e isso pode ser significar ter tempo para ler um livro, ou escrever um post
  4. Aprender a simplificar. Em dias de jogos do benfica não se faz jantar ou almoço, não se suja loiça, tratemos esse dia como o sagrado "sabath"; 
  5. Relembrar os votos para viver a 2: "para o bem e para o mal"; 
E até que a morte nos separe, transformemos esses momentos de benfiquismo em algo positivo, já que não o podemos vencer...

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A minha vida dava um filme de terror!!!

Na última semana senti, mais do que nunca, que a minha vida dava um filme de terror!
O terror na cara dos putos sempre que eu gritava, mas era um facto, já não tinha capacidade para pedir ou explicar, era mais fácil gritar...

Terror na cara do Z. que vislumbrava o meu semblante à distância, a rigidez dos lábios e das sobrancelhas. Tudo em mim metia medo.

A M. que me pediu para não gritar com ela porque a assustava, a minha rápida, e não menos ruidosa, resposta: "senão gritar vou ter que te bater".

E toda esta indisposição pesava em mim, e no silêncio dos pensamentos eu ouvia os gritos da consciência: "má mãe, má mãe não é por gritares que eles vão perceber melhor...".

Não obstante, eis que aconteceu o derradeiro momento...
Enquanto passava perto da cozinha ouvi a voz da M.: "...eu ponho, eu ponho...", mas algo aconteceu, oiço depois a voz do pai, Z., num tom pacífico, e numa voz calma a chamá-la a atenção, fazia notar-lhe que ela tinha acabado de fazer um disparate. E ele argumentava com ela sobre "estar à altura da responsabilidade".

E eu que no íntimo questionava a minha falta de paciência, o ser impulsiva, senti-me, naquele momento ainda mais diminuída. Era possível ser assim tão calmo? Mesmo depois de se ver uma caneca de leite derramada pela banca, com o leite a pingar para o chão, simplesmente por teimosia e traquinice? Porque novamente ignorou as indicações e os alertas que lhe tinham sido confiados?

Sim, eu sei que aconteçe, e que ela é uma criança, e irão acontecer situações destas milhares de vezes (então não sei?!), assim como sei que devia estar a trabalhar a confiança dela, mas as únicas coisas que naquele momento não me doíam, eram os dentes e o cabelo... e as dores que tinham não aliviaram o cansaço, nem o discernimento...

Foi também nesse momento que pensei recolher todo o dinheiro que tivesse na carteira e no dia seguinte abrir uma conta bancária para pagar as futuras consultas psiquiátricas destes miúdos, e investigar como internar-me...

Porém, no dia seguinte quando fui à cozinha constatei que o pai não viu o trabalho que tinha que ter para limpar aquele leite, porque ele não o limpou na totalidade, passou o pano.
Assim, novamente o trabalho voltou para mim, tinha o leite para limpar por dentro e fora das gavetas, e o chão e a banca também porque estavam manchados e colavam.

E nesse momento era evidente a pergunta, mas porque é que não gritei com os dois? Pai e filha? Não, não eram estas as perguntas...

As verdadeiras perguntas, as que evitei eram porque é que eu limpei? Porque é que é mais fácil para mim "limpar, arrumar e gritar"?
Porque é que não é mais fácil "deixar estar" ou conversar calmamente sobre o que vai sucedendo?

Eu sei a razão e tenho aqui um bom ponto de partida, e se tudo correr bem chegarei ao género de filmes que gosto, as comédias ou os musicais e deixarei os filmes de terror.

Por isto, Deus, ano novo, Universo, peço-te que me ajudes porque preciso, como a M., que tenham paciência comigo, não me gritem, hei-de lá chegar... este burro velho há-de lá chegar... ou se há-de...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Ano novo vida nova?

Chegados a mais um ano iniciam-se um incontável número de planos, de recomeços, de esperanças, de confiança na realização de desejos, e acho que isto é saudável, faz parte do acreditar no futuro.
Aproveitar o que temos, construir mais memórias e aprendermos com a vida o que queremos e não queremos para esse ano novo, ou para o futuro.
Inevitávelmente estamos mais velhos e ainda bem que assim é, conhecemos mais pessoas, mais músicas, lemos mais livros, vemos mais filmes e se forem como eu utilizam mais ditados populares.

Costumo dizer que o ano começa quando fazemos anos, não exatamente no dia 1de Janeiro, mas no dia do nosso aniversário, também costumo repetir, em demasia, Sérgio Godinho "Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida".

Parece-me que o "começar" é um ritual necessário, precisamos desse ritual e aguardamo-lo de um ano para outro. Hoje que escrevo este post a pensar que um novo ano se iniciou irei relê-lo, de hoje a 366 dias, e irei sentir o que tenho vindo a sentir nos últimos anos o tempo está a passar: "tic tac tic tac, o que pensas fazer com o resto da tua vida?"

Assim, e apesar de ser um ano novo já sei com certeza que não este não veio com uma vida nova.

Ano novo vida nova, uma treta!

Ano novo e a vida que temos, sim!

Se este é um momento para reflexão ,que o seja, desde que nos faça sentido. E reflexão nunca foi demais. Aproveitemos para reflectir e agir.
Façamos por merecer o bom e trabalhemos para destruir o mal.

Daqui a um ano verificaremos o saldo obtido. Mãos à obra:  "tic tac tic tac, o que pensas fazer com o resto da tua vida?"