quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

E DEPOIS DA MORTE?


- Experiência 1 : A morte segundo a religião.

Qual religião?
Existem tantas, e tantas formas de acreditar.
Alguns cristãos crêem na ressurreição, outros na vida eterna, ainda outros no inferno, no céu, no purgatório e ainda alguns acreditam no pó: “és pó e ao pó voltarás”.
Algumas pessoas acreditam na reencarnação e outros no renascimento.

Custa acreditar que a vida acaba, um dia, mas acabará, inevitavelmente.

Para lidar com este acontecimento pertencente ao ciclo da vida acredita-se em várias coisas, várias formas. Uma fé em algo que não se consegue explicar e que é muito difícil de aceitar.
A religião tem, a meu ver, entre outros o dever de apaziguar, de acolher, de confortar, e assim como se faz com as crianças, das múltiplas interpretações que existem escolhe-se a explicação que melhor se compreende e se aceita, aquela que alivia a dor do próprio.
Curiosamente, a morte nas sociedades ocidentais veste um luto carregado de preto, apesar disso as referências e imagens do caminho entre a vida e a morte são, invariavelmente, em branco, contudo o branco é sinal de luto no Oriente.

O que me faz pensar que os contrastes existentes juntam seres humanos no mesmo nível na luz e na escuridão – no adeus no até breve ou até sempre!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

... neura...


Acordei com a neura. Há dias que sinto uma explosão de energia dentro de mim que parece que finalmente a vida apareceu e está disposta a realizar-se naquele momento. Hoje, e como tem acontecido quase sempre, não é este o caso, acordei com o barulho de um objecto pesado a cair no chão. O estrondo fez com que acordasse sobressaltada, farta de viver, cheia de pessimismo.

Capaz de desistir da vida em sociedade.

Fui tomar banho, não conheço melhor unguento para a acalmar a dor da alma, afinal não foi o estrondo que me deixou mal disposta, foi a agonia e a aflição de acordar e ter mais um dia de rotina à minha frente. Tento não pensar nisso, a semana passa num ápice, de repente já passou um ano e num instante a vida passou. O pior da vida ter passado é não ter tido coragem, um único dia, de fazer o que realmente vai na alma. De dizer não, de dizer sim, porque é nisso que acreditamos.

Tudo tem um horário, uma escala, um tempo determinado, quanto mais livres queremos ser, mais independentes, dos pais, das tradições, dos hábitos, mais dependentes nos tornamos, do tempo, de alguém, de novas rotinas. E lá se foi a autonomia e lá se foi a liberdade e a vida.

Se quero faltar ao emprego devo avisar e justificar a falta, se quero ir a casa de alguém devo informá-lo do meu intento, se quero ir de férias devo planeá-las, se não quiser acordar devo desligar o despertador, se vou chegar tarde devo levar justificação. Se me sinto doente devo esperar pela consulta, se quero ir ao médico devo agendar consulta. Se quero ir divertir-me tenho que ter dinheiro e vontade, e até essa já não vem e fica como se quere. Se quero estar com certa pessoa tenho que verificar se ela pode.

Sinto-me mal, este estrondo, é ensurdecedor! Tenho que mudar, mudar de vizinhança.

Ai a vida, estou ávida de vida! Mas de vida plena.

Talvez com a morte a vida não me surpreenda, talvez seja o momento certo para fazer o que me apetecer fazer, tenho que confirmar que vou ter vida na morte para vivê-la ao meu jeito.

Se calhar um desculpe, tinha sido suficiente para esta neura não ancorar em mim.

 Se calhar a coragem de dizer sim e não, teria sido suficiente para esta tristeza e esta desilusão não criarem raízes.

Será que perdi o encanto? Será este pessimismo? Talvez a morte desta vida seja suficiente.

O banho não foi suficiente, os actos também não o foram, as palavras estão apagadas, não há música que me alegre, não há ombro que queira.

Há um silêncio, no fundo da garganta que me diz que é melhor esquecer.

Pego na minha mala e saio para apanhar o comboio certo, na hora certa, para chegar à hora certa e dizer as palavras certas, até o dia chegar ao fim e novamente adormecer e ficar a sós com o silêncio que tanto quero e preciso, mas que tanto me inquieta.  

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

estória 6: ... e viveram felizes para sempre...

A única questão presente, o que vestir? Qual era a mensagem que queria passar?

O nosso encontro tinha corrido tão bem!

Dois meses tinham passado desde que o vi pela primeira vez. Dois meses foi o tempo que levou para me convidar para sair.

A primeira vez que me convidou fiquei tão surpreendida que não consegui dizer que sim: “ah, hoje não posso, talvez outro dia”.

A semana passou e precisamente na 6ª feira, antes de sair, disse: “tens planos para esta noite?”

Não consegui mentir, eu queria aquele encontro, afinal, queria falar com ele longe do escritório, distante dos olhares de todos, descobrir qual a cor que ele mais gosta, o que ele ouve, queria saber tudo sobre ele desde o primeiro dia que o vi.

Jantámos, pela primeira vez senti o seu perfume, observei e senti as suas mãos sem medo de o fazer. Não havia ninguém para prestar contas, para responder a perguntas incómodas, ou às quais não sabia responder.

O coração batia aceleradamente, tudo era possível, a vida é perfeita porque existem estes momentos perfeitos.

Saímos daquele local e fomos até um bar, prolongar a noite, seduzir, revelarmo-nos. Pensava que tinha que fazer aquele momento durar porque estes sentimentos iniciais são uma explosão, uma descarga de energia. Acabámos por ir até um bar de um Hotel perto do restaurante onde tínhamos jantado.

Ele pediu um Dry Martini eu mantive-me fiel ao vinho. Não sei como aconteceu, nem como chegámos lá, mas claro está que acabámos num quarto daquele hotel.

 Acordámos, tomámos o pequeno-almoço juntos, ele recebeu uma chamada, beijou-me e despediu-se.

Não percebi o que tinha acontecido, mas percebi que a expressão da sua cara tinha mudado, ele ficou distante.

Acho que o nosso encontro tinha corrido bem, mas desde sábado de manhã que não sabia nada dele, embora ele estivesse por todo o lado durante aquele fim-de-semana, era tudo fruto da minha cabeça.

E hoje já é segunda-feira, daqui a pouco ia vê-lo, aquilo que iria vestir parecia-me muito importante.

Acabei por vestir um vestido justo e curto, afinal era essa a mensagem que eu queria que ele percebesse.

Quando cheguei os meus olhos não foram capazes de o encontrar de imediato, acabou por levar algum tempo, até o nosso olhar se cruzar. Quando isso aconteceu, ele sorriu e eu experimentei a sensação de um gelado num dia verão, às 13 horas. De seguida ele levantou os braços e esticou-os, cruzou os dedos atrás da cabeça e pela primeira vez vi na sua mão direita, no seu dedo anelar, uma aliança.

Novamente um padrão que se repetia…