Na última semana senti, mais do que nunca, que a minha vida dava um filme de terror!
O terror na cara dos putos sempre que eu gritava, mas era um facto, já não tinha capacidade para pedir ou explicar, era mais fácil gritar...
Terror na cara do Z. que vislumbrava o meu semblante à distância, a rigidez dos lábios e das sobrancelhas. Tudo em mim metia medo.
A M. que me pediu para não gritar com ela porque a assustava, a minha rápida, e não menos ruidosa, resposta: "senão gritar vou ter que te bater".
E toda esta indisposição pesava em mim, e no silêncio dos pensamentos eu ouvia os gritos da consciência: "má mãe, má mãe não é por gritares que eles vão perceber melhor...".
Não obstante, eis que aconteceu o derradeiro momento...
Enquanto passava perto da cozinha ouvi a voz da M.: "...eu ponho, eu ponho...", mas algo aconteceu, oiço depois a voz do pai, Z., num tom pacífico, e numa voz calma a chamá-la a atenção, fazia notar-lhe que ela tinha acabado de fazer um disparate. E ele argumentava com ela sobre "estar à altura da responsabilidade".
E eu que no íntimo questionava a minha falta de paciência, o ser impulsiva, senti-me, naquele momento ainda mais diminuída. Era possível ser assim tão calmo? Mesmo depois de se ver uma caneca de leite derramada pela banca, com o leite a pingar para o chão, simplesmente por teimosia e traquinice? Porque novamente ignorou as indicações e os alertas que lhe tinham sido confiados?
Sim, eu sei que aconteçe, e que ela é uma criança, e irão acontecer situações destas milhares de vezes (então não sei?!), assim como sei que devia estar a trabalhar a confiança dela, mas as únicas coisas que naquele momento não me doíam, eram os dentes e o cabelo... e as dores que tinham não aliviaram o cansaço, nem o discernimento...
Foi também nesse momento que pensei recolher todo o dinheiro que tivesse na carteira e no dia seguinte abrir uma conta bancária para pagar as futuras consultas psiquiátricas destes miúdos, e investigar como internar-me...
Porém, no dia seguinte quando fui à cozinha constatei que o pai não viu o trabalho que tinha que ter para limpar aquele leite, porque ele não o limpou na totalidade, passou o pano.
Assim, novamente o trabalho voltou para mim, tinha o leite para limpar por dentro e fora das gavetas, e o chão e a banca também porque estavam manchados e colavam.
E nesse momento era evidente a pergunta, mas porque é que não gritei com os dois? Pai e filha? Não, não eram estas as perguntas...
As verdadeiras perguntas, as que evitei eram porque é que eu limpei? Porque é que é mais fácil para mim "limpar, arrumar e gritar"?
Porque é que não é mais fácil "deixar estar" ou conversar calmamente sobre o que vai sucedendo?
Eu sei a razão e tenho aqui um bom ponto de partida, e se tudo correr bem chegarei ao género de filmes que gosto, as comédias ou os musicais e deixarei os filmes de terror.
Por isto, Deus, ano novo, Universo, peço-te que me ajudes porque preciso, como a M., que tenham paciência comigo, não me gritem, hei-de lá chegar... este burro velho há-de lá chegar... ou se há-de...
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Ano novo vida nova?
Chegados a mais um ano iniciam-se um incontável número de planos, de recomeços, de esperanças, de confiança na realização de desejos, e acho que isto é saudável, faz parte do acreditar no futuro.
Aproveitar o que temos, construir mais memórias e aprendermos com a vida o que queremos e não queremos para esse ano novo, ou para o futuro.
Inevitávelmente estamos mais velhos e ainda bem que assim é, conhecemos mais pessoas, mais músicas, lemos mais livros, vemos mais filmes e se forem como eu utilizam mais ditados populares.
Costumo dizer que o ano começa quando fazemos anos, não exatamente no dia 1de Janeiro, mas no dia do nosso aniversário, também costumo repetir, em demasia, Sérgio Godinho "Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida".
Parece-me que o "começar" é um ritual necessário, precisamos desse ritual e aguardamo-lo de um ano para outro. Hoje que escrevo este post a pensar que um novo ano se iniciou irei relê-lo, de hoje a 366 dias, e irei sentir o que tenho vindo a sentir nos últimos anos o tempo está a passar: "tic tac tic tac, o que pensas fazer com o resto da tua vida?"
Assim, e apesar de ser um ano novo já sei com certeza que não este não veio com uma vida nova.
Ano novo vida nova, uma treta!
Ano novo e a vida que temos, sim!
Se este é um momento para reflexão ,que o seja, desde que nos faça sentido. E reflexão nunca foi demais. Aproveitemos para reflectir e agir.
Façamos por merecer o bom e trabalhemos para destruir o mal.
Daqui a um ano verificaremos o saldo obtido. Mãos à obra: "tic tac tic tac, o que pensas fazer com o resto da tua vida?"
Aproveitar o que temos, construir mais memórias e aprendermos com a vida o que queremos e não queremos para esse ano novo, ou para o futuro.
Inevitávelmente estamos mais velhos e ainda bem que assim é, conhecemos mais pessoas, mais músicas, lemos mais livros, vemos mais filmes e se forem como eu utilizam mais ditados populares.
Costumo dizer que o ano começa quando fazemos anos, não exatamente no dia 1de Janeiro, mas no dia do nosso aniversário, também costumo repetir, em demasia, Sérgio Godinho "Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida".
Parece-me que o "começar" é um ritual necessário, precisamos desse ritual e aguardamo-lo de um ano para outro. Hoje que escrevo este post a pensar que um novo ano se iniciou irei relê-lo, de hoje a 366 dias, e irei sentir o que tenho vindo a sentir nos últimos anos o tempo está a passar: "tic tac tic tac, o que pensas fazer com o resto da tua vida?"
Assim, e apesar de ser um ano novo já sei com certeza que não este não veio com uma vida nova.
Ano novo vida nova, uma treta!
Ano novo e a vida que temos, sim!
Se este é um momento para reflexão ,que o seja, desde que nos faça sentido. E reflexão nunca foi demais. Aproveitemos para reflectir e agir.
Façamos por merecer o bom e trabalhemos para destruir o mal.
Daqui a um ano verificaremos o saldo obtido. Mãos à obra: "tic tac tic tac, o que pensas fazer com o resto da tua vida?"
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Fé essa pequena, mas gigantesca, palavra.
Afinal existe uma palavra mais pequena do que mãe e pai e também
com grande significado. Essa palavra é fé.
Não sei se será fé em Deus, no universo,
na intuição, no outro, em nós, no futuro... fé é, a meu ver, e como dizia o poeta,
urgente. "É urgente" que haja esperança, que haja vida, que continue
a haver "um barco no mar".
A confiança, a tábua de salvação, algo que
possamos agarrar quando estamos enfraquecidos, quando precisamos ter força para
nós e para os outros. Eu chamo-lhe fé!
A minha fé diz-me que existe um limite.
Que tal como diz a biblía só seremos testados até ao ponto que
conseguimos aguentar. E porque somos testados? Ou uns são mais "postos à
prova" que outros?
Sinceramente? Não sei J
Podem ser tantas as interpretações que a resposta deve fazer
sentido a quem coloca a questão “Pôrque?” e “Pôrque eu?”
A resposta pode estar na aleatoriedade dos acontecimentos, não é
pessoal é a vida a acontecer.
A reposta pode residir na racionalidade,
faz parte, e aconteceu porque “a+b=c”.
Nas leis do universo, ou da natureza, “as provas/testes” existem
porque permitem que cada um se supere, sobreviva. É a seleção natural, os mais
fortes permanecem e devem proteger quem não esteja tão bem preparado.
Existem pessoas que estão mais preparadas para superarem os
desafios que se lhes apresentam, mais preparadas para se refinarem nas questões da humanidade.
Na minha opinião, acredito que todas as respostas são válidas, estas
e outras, e que devemos pensar sempre no pôrque. O facto de não pensar, para mim, seria um
erro porque se irá perder uma oportunidade para aprender.
Em primeiro lugar, é
necessário que se resolva o que tem que se resolver e será à nossa maneira, ou
da forma que é possível.
Em segundo que reflitamos no pôrque, e que respondamos com aquilo
que sentimos. Que seja a nossa verdade, só a nossa verdade o nosso sentir nos
poderá "libertar" de culpas e desculpas.
E em jeito de conclusão relembro o filme American Sniper, quando
Bradley Cooper, o ator principal, descreve
o talento/dom que tem, esta consciencialização conduziu-o à sua missão:
proteger.
Ou relembro a essência da antropologia da saúde, “sáude e doença
são inerentes a todas as sociedades, a todas as pessoas”, e o que procuramos é um
equilibrio entre estes, ou outros, opostos.
Aprendamos a sentir o que é a nossa missão, usemos esse
privilègio, e depois vivamos a vida conscientes que um dia seremos necessários
e noutro dia não. E neste equilíbrio vivamos!
Tenhamos fé e o dia de hoje, e de amanhã, serão bons dias!
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