sexta-feira, 12 de abril de 2013

Banalidades...

Uma manhã como outra qualquer.
Um acontecimento banal que não teria importância se não fosse recorrente.
Todos gostam de ensinar, todos tem opinião por eles e por outros, incluo-me nesse grupo, mas com algumas diferenças, à espera do julgamento alheio, salvaguardo a situação: “na minha opinião”, “já fiz assim”, “não poderá ser porque…” , ou mesmo “eu faço assim porque …”, ou “logo que possa…”.
No seguimento daquilo a que me vou habituando, à companhia do ser humano, conveniente ou inconveniente, respiro fundo e penso que somos medidos pelo todo.
Mas, tal como Durkheim, penso na “consciência colectiva” e quero aceitar que “as partes não são iguais ao todo” portanto há que dar o benefício da dúvida às acções e palavras de um e de todos.
Assim, nem todos somos malandros e nem todos somos os perfeitos.
Esse equilíbrio, esse bom senso…
Um acontecimento banal que poderia passar despercebido se já não fosse um hábito de uma maioria.
Não quero fazer parte da maioria e não acho que a minoria tenha que viver entre a arrogância e a falta de empatia, e juízo, em alguns casos.
 Há coisas que nunca irão mudar, mas falar sobre elas ajuda-nos a refletir sobre nós e na forma como vivemos e tratamos “o outro”.

segunda-feira, 8 de abril de 2013


Esta certeza do nada. Este medo domesticado. Pequenos avanços e rápidos recuos.

Um dia bem outro em crise.

Recorda-se quando dói menos e esquece-se quando não se pode fazer nada para evitar.

Quem quer viver na cabeça dos outros?
Quem quer estar sempre impecável e dizer sempre o apropriado?

Alcançar a sabedoria plena? Ou viver para a adequado?

Que importa acumular? O que se leva?
Importa preocupar-se? Importa o que se deixa?

 
Dói, diz aquela criança depois de cair e esfolar o joelho: “dói muito, mãe”.
Responde a mãe: “vais ver que isso não dói nada”

Dá-lhe mais tempo e mais vida!

 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

um exercício de existência

Existe um princípio, existe um fim.
Nem sempre abrupto, nem sempre triste.
Às vezes porque é o melhor, outras vezes porque não se pode evitar.
E durante esse princípio e esse fim?
Fernando Pessoa escreveu:

"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples.
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus."

Existem tantos lugares comuns que se repetem que são criados para nos deixarem mais optimistas. Mas a desilusão, a tristeza, o tédio, o desespero e outros tantos sentimentos que circunscrevem a vida dão-nos razões para querer mais ou menos, dão-nos razões para pensar.

São estas razões que se tornam questões, exercícios de aprendizagem de envelhecimento que nos acompanham.
Há um medo a pairar sobre as cabeças de todos os seres vivos, o medo de um fim, a forma e o contexto desse fim.

Até que esse fim resulte em esperança e em renascimento para aqueles que ficam, ou assistem há um tempo.
Esse tempo é o que nos leva do princípio ao fim, é esse tempo que temos que preencher com aquilo que realmente importa.

O exercício passa por considerar o que importa e não dar importância ao que não tem importância.
Há tanto para descobrir e sentir através e com os outros, que só pedimos mais tempo.
Tempo entre esse princípio e esse fim.   

Tempo para sermos e vivermos mais!